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Destaques

Azevedo de Campanhã é território de ação prioritária
23-09-2019

Azevedo de Campanhã apresenta problemas estruturais há décadas, exacerbados pelas barreiras geográficas e viárias. Tem baixo nível de densidade populacional e, entre os residentes, regista elevadas taxas de desemprego. Apostado em inverter este cenário, o Executivo Municipal votou esta manhã, por unanimidade, a delimitação da Área de Reabilitação Urbana para todo este território.


De todas as forças políticas ouviram-se elogios ao trabalho do Executivo de Rui Moreira e aos serviços municipais do Urbanismo, que elaboraram o projeto de delimitação da ARU de Azevedo de Campanhã.

Não se tratando de uma medida isolada, mas sim de uma proposta que se enquadra no pensamento estratégico para a zona mais oriental da cidade, declarado já no primeiro mandato do autarca, Azevedo de Campanhã é talvez - dentro deste território prioritário - aquele que mais constrangimentos e patologias apresenta.

Assim o identificou, durante a reunião de Executivo desta manhã, Manuel Ribeiro, arquiteto da Câmara do Porto que conduziu o processo. Numa área considerável de 185 hectares, os aglomerados populacionais são dispersos e há "muito pouca fixação de residentes", como o revela uma densidade de ocupação de solo "de cerca de 18% de habitantes por hectare".

Com uma taxa de desemprego de 27%, associam-se também a este território problemas de índole social, revelou o diagnóstico. Vicissitudes que, no âmbito de políticas públicas diversificadas, têm vindo a ser combatidas ou debeladas. Naquilo que diz respeito à intervenção do Município, com programas como o Rua Direita, Cultura em Expansão, a intervenção nos bairros sociais, o URBiNAT (projeto dos corredores saudáveis), ou ainda pelo alargamento da oferta das AEC - Atividades de Enriquecimento Escolar, nas escolas públicas da rede municipal. Por outro lado, com a também pressão exercida pela Câmara para a construção do novo Centro de Saúde de Azevedo de Campanhã junto da tutela.

Entre os objetivos subjacentes à criação da ARU de Azevedo de Campanhã inclui-se a afirmação do "espaço urbano baseado no equilíbrio com o suporte natural e com a herança patrimonial edificada".



Aspeto, aliás, destacado nas intervenções políticas que se seguiram, com o presidente da Câmara do Porto a concordar que se deve procurar um equilíbrio entre ruralidade e "a biodiversidade" existentes com a urbanidade. É nesse sentido que à reabilitação do edificado de Azevedo se alia a necessidade de "desenvolver uma base económica diversificada articulada com os ativos territoriais e ambientais", capaz de gerar um crescimento socioeconómico da população.

Consenso político alargado

"Não poderíamos estar mais de acordo", palavras do vereador do PS Manuel Pizarro. Para o socialista, a medida vem em linha com a atenção especial que o Executivo já tinha prometido para Azevedo de Campanhã, além de ter elogiado o trabalho dos serviços municipais e "a ação do vereador [do Urbanismo]".

A intervenção do vereador do PSD, Álvaro Almeida, seguiu no mesmo sentido, tendo o social-democrata vincado que a "ruralidade" de Azevedo deve ser preservada em harmonia com a reabilitação.

Já a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, que também se congratulou com a proposta, sinalizou que deve avançar-se "urgentemente" para a criação da respetiva Operação de Reabilitação Urbana.

Na mesma sessão foi ainda avançada informação sobre a requalificação da Praça da Corujeira, que será feita no âmbito da ORU da Corujeira, tendo em conta que também interferirá nos arruamentos envolventes. O vereador do Urbanismo estima que até ao final do ano seja lançado o concurso público para a equipa projetista e, se tudo correr bem, que o projeto esteja concluído até setembro de 2020, de modo a que os concursos para as empreitadas possam ser publicados até ao final do próximo ano.

Com a criação de ARU de Azevedo de Campanhã (ocupa 36% da superfície da cidade, abrangendo cerca de 14,82 quilómetros quadrados), o concelho do Porto passa a totalizar 10 Áreas de Reabilitação Urbana. Para o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, "fecha-se um ciclo" para se iniciar outro, voltado para novas ORU (mesmo que admita a hipótese de pensar uma ARU em Ramalde).

A aprovação final da ARU de Azevedo de Campanhã, bem como a criação da ORU da Corujeira, votada também por unanimidade na mesma sessão, vai depender da Assembleia Municipal.