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Trabalho sobre terapia da dor lombar dá prémio a investigadora do i3S
15-03-2019
Joana Caldeira foi galardoada pela investigação desenvolvida na área da regeneração dos discos intervertebrais, que estão relacionados com a dor lombar.

A investigadora do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto e antiga aluna da Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto, Joana Caldeira, foi distinguida com o Prémio L´Oréal "Mulheres na Ciência". Joana Caldeira pretende utilizar a tecnologia de edição genética CRISPR (CRISPR/Cas9) para alcançar a regeneração dos discos intervertebrais.

Joana Caldeira irá recorrer a esta ferramenta para reativar genes típicos do microambiente fetal, com o objetivo de potenciar as atuais terapias regenerativas com células estaminais.

"Com esta tecnologia revolucionária, poderemos criar uma envolvente acolhedora para as células estaminais utilizadas nas terapias de regeneração do disco, o que promoverá o seu alojamento e sobrevivência no local pretendido", adianta a investigadora.

O trabalho premiado assume uma importância acrescida na medida em que mais de 70% da população mundial é afetada por dor lombar que é causada pela degeneração dos discos intervertebrais, não sendo os tratamentos atuais eficazes a longo prazo.

Além disso, a dor lombar - causada pela degeneração dos discos intervertebrais, tanto pelo processo natural de envelhecimento como por traumas diversos ou por predisposição genética - tem um pesado impacto socioeconómico, devido às dores e incapacidade provocadas, ao absentismo laboral e aos custos terapêuticos que lhe estão associados.

Um tratamento eficaz nesta área permitiria beneficiar milhões de pessoas, reduzindo o número de anos vividos com incapacidade, tanto mais que, no caso da doença degenerativa do disco, estes anos ultrapassam, em média, os registados em doenças como a SIDA, a tuberculose ou o cancro de pulmão. Da mesma forma, ajudaria a diminuir perdas globais anuais que, segundo Joana Caldeira, deverão rondar os 150 mil milhões de euros por ano, em parte decorrentes de cerca de 150 milhões de dias de baixa médica.

A concretização deste projeto, designado CRISPR4DISC, assume-se como um passo significativo na melhoria das terapias com células estaminais e abrirá portas para a primeira terapia regenerativa do disco intervertebral baseada na tecnologia CRISPR. Os resultados obtidos criarão as bases de ensaios clínicos pioneiros para inverter a realidade atual.