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Destaques

Comerciantes do Porto dão o exemplo e mostram que é seguro voltar a comprar no comércio local após pandemia
25-06-2020

As ruas da cidade, que outrora se encontravam vazias, começam pouco a pouco a ganhar vida e o comércio, reaberto há mais de um mês, vai regressando à nova normalidade, recuperando a confiança perdida com a pandemia.


O Porto. foi para a rua conversar com alguns comerciantes e tentar perceber de que forma o comércio local da cidade tem enfrentado esta nova realidade.


Após quase dois meses de portas fechadas devido ao Estado de Emergência provocado pela COVID-19, a reabertura do comércio local, restauração e hotelaria da cidade do Porto teve de se adaptar às novas regras, enfrentando um desafio que exige soluções criativas para se voltarem a erguer.


Em plena Baixa do Porto, o restaurante Mito, na Rua de José Falcão, é um exemplo disso. Reabriu portas a 29 de maio com novas medidas, algumas delas reforçadas, para garantir aos clientes que visitam o espaço que é possível fazer uma refeição segura fora de casa.

Pedro Braga, proprietário do restaurante, refere que, na restauração, "a maior parte das novas regras e os novos cuidados que se falam" já faziam parte do dia a dia dos trabalhadores deste setor. "Estamos a falar de coisas que nós fazíamos quatro vezes e agora fazemos seis, pronto", reforça ainda o proprietário do espaço.

Além do distanciamento físico recomendado entre mesas, a limpeza e desinfeção dos espaços antes e após a utilização pelos clientes, a disponibilização de álcool gel à entrada e o uso de máscara obrigatório por parte de clientes e funcionários ao circularem pelo estabelecimento, o restaurante foi ainda mais longe e dispõe de ementas acessíveis através da leitura de um código QR, bem como de um saco de papel, fornecido ao cliente à entrada, para que este possa guardar a máscara quando se senta à mesa. Medidas que, garante Pedro Braga, fazem a diferença e permitem ao cliente sentir-se mais seguro.



Já na loja típica de produtos portugueses Enaltece Sabor, sediada na Rua do Almada desde 2014, as medidas adotadas começaram mesmo antes de ser declarado o Estado de Emergência Nacional.

Lígia Silva, funcionária do estabelecimento, refere que assim que tiveram conhecimento do aparecimento dos primeiros casos de infetados pelo novo coronavírus no país, imediatamente decidiram adotar o uso de máscara e luvas no atendimento ao cliente, atitude que as pessoas "na altura achavam um pouco estranho", mas que agora nota-se que "dão valor" e que isso faz com que "ganhem mais confiança".

Além do desinfetante de mãos à entrada, do distanciamento físico recomendado dentro da loja e a devida desinfeção do espaço após a saída de cada cliente, Lígia Silva refere ainda que reforçaram o uso de copos e pratos descartáveis, bem como o pagamento com MB Way para evitar a troca de dinheiro.

Com o foco do negócio direcionado para o turismo, a funcionária afirma que esse tipo de clientes ainda não foi possível recuperar, mas que o cliente local começa a aparecer de forma gradual.

"No início notávamos que as pessoas tinham algum receio de vir ou ficavam muito no exterior", mas "agora já vemos os clientes mais à vontade", explica ainda Lígia Silva que, quando questionada, garante que as medidas adotadas têm contribuído para que o cliente apareça e se sinta mais confortável.

Seguimos para a Rua Trindade Coelho, onde encontramos a sapataria Tatuaggi.

À entrada, vemos imediatamente o gel desinfetante de mãos acompanhado de luvas descartáveis.

Nesta sapataria, mesmo ao lado da movimentada Rua das Flores, apenas é permitida a entrada a dois clientes de cada vez e são disponibilizadas luvas e meias descartáveis, no caso de o cliente querer tocar ou experimentar algum artigo.

Susana Leal é a gerente da loja e acredita que há "uma consciencialização bastante elevada" e que "as pessoas preocupam-se mesmo com isso" de "não querer transmitir e também não querer que alguém lhes transmita o vírus".

Já na Freguesia de Santo Ildefonso, a loja de vestuário Prassa, na Rua de Sá da Bandeira, além do álcool gel à entrada e das divisórias no chão para que o cliente aguarde pela sua vez com o devido distanciamento recomendado, o espaço dispõe ainda de uma ocupação limitada a cinco pessoas e todas as zonas de contacto frequente são devidamente higienizadas após a saída de cada cliente. Também os artigos de vestuário, assim que experimentados, são levados para uma outra divisão da loja onde ficam em quarentena durante o período de 48 horas e, posteriormente, são engomados a altas temperaturas antes de voltarem a retomar os seus lugares nos expositores da loja.

Nuno Praça, gerente do pronto-a-vestir, afirma que os clientes têm sido bastante cumpridores e que "têm aparecido aos poucos desde a reabertura" para fazer algumas compras.

Fortemente penalizado pela pandemia, o comércio da cidade mostra agora que é possível voltar à normalidade de forma responsável e aprender a lidar com o vírus através de atitudes preventivas por parte dos comerciantes e clientes, que têm permitido recuperar o sentimento de segurança e confiança, voltando a dar vida às ruas da cidade do Porto.

E o bom comportamento dos portuenses revela-se nos números, a cidade está há 20 dias sem registar novos casos de infeção por COVID-19.