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Destaques

Volta pelas casas dos brasileiros de torna-viagem faz-se sem sair do sítio
09-07-2018
As "Casas de brasileiros de torna-viagem: aspetos neoclássicos", que foram tema de um percurso cultural no mês passado, voltam a servir de tema a uma sessão, na próxima quarta-feira, na Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.

Esta iniciativa tem início às 16 horas e será conduzida pela historiadora da arte e museóloga Isabel Andrade Silva que, através da apresentação de um powerpoint, fará assim um complemento àquele percurso. No entanto, a sessão é aberta a todos os interessados e não apenas a quem participou no referido percurso cultural.

Embora seja de participação gratuita, a sessão tem limitações de espaço, pelo que os interessados devem inscrever-se através do e-mail isabelsilva@cm-porto.pt ou do tel. 223 393 480.

Quem foram os brasileiros de torna-viagem?

Brasileiros de torna-viagem ou brasileiros oitocentistas eram cidadãos portuenses que tinham emigrado para o Brasil e voltavam enriquecidos à sua terra natal. No Porto, cidade onde o espírito do negócio era dominante, sentiram-se à vontade e dominaram as transações comerciais com o Brasil - vários deles continuaram com interesses financeiros naquele país - tanto mais que alguns eram proprietários de embarcações que navegavam entre Portugal e o Brasil. Possuíam, assim, condições de excelência para o comércio de importação/exportação, contribuindo desta forma para aumentar a preponderância da cidade do Porto como praça comercial.

Na vida política, esses "brasileiros" foram figuras influentes de grande prestígio, implicando-se ativamente na dinamização dos seus partidos. Desempenharam, também, cargos de relevo como parlamentares, tanto na Câmara dos Deputados como na Câmara dos Pares e na Presidência da Câmara Municipal do Porto. E a sua contribuição foi, ainda, decisiva para o desenvolvimento do tecido urbano, ao impulsionarem a urbanização da cidade e a construção civil, erigindo casas cujos pormenores arquitetónicos foram alvo da observação no referido percurso cultural de junho.

Um dos mais conhecidos "brasileiros de torna-viagem" foi o Conde da Silva Monteiro, a quem pertenceu o palacete da Rua da Restauração onde está sediada a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que chegou a ser considerado a casa mais luxuosa do Porto. Avô das fundadoras da Escola de Música Silva Monteiro, este importante comerciante, empresário e filantropo da cidade presidiu aos bombeiros, à Associação Comercial e à Sociedade Palácio de Cristal, sendo vice-presidente da Câmara de 1876 a 1877.