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Destaques

Neta de Cousteau e jornalista da CNN alertam no Porto para os oceanos
05-11-2019
Alexandra Cousteau, neta do célebre oceanógrafo, e a jornalista Arwa Damon, da CNN, integram o leque de especialistas mundiais que participam no debate "SB Oceans" sobre o futuro dos oceanos, entre 14 e 16 de novembro, na Alfândega do Porto.

O evento reunirá empresários, investigadores e ativistas, que virão apresentar projetos-referência de preservação da vida marítima, tendo Portugal sido escolhido devido à sua ligação histórica ao mar e à aposta crescente na economia azul.

A organização cabe à Sustainable Brands, comunidade constituída por empresas e organizações que tem como objetivo fomentar a partilha de práticas inovadoras de cariz sustentável, sendo o "SB Oceans" o seu primeiro projeto temático dedicado aos oceanos. A Sustainable Brands reúne assim a visão de gestores, investigadores, designers, responsáveis de marketing e comunicação, entre outros players, acreditando que, através da partilha de boas práticas, é possível que cada uma das marcas e entidades envolvidas melhore o seu contributo para um mundo mais sustentável.

Atualmente, existem quatro triliões de toneladas de plástico no mundo, sendo que 150 milhões de toneladas estão no mar. Em 2050, haverá mais plástico nos oceanos do que peixes. Contudo, não é esta única preocupação quando se fala na sustentabilidade dos oceanos (até porque há milhares de outros poluentes). A SB Oceans defende que é urgente debater a pesca excessiva e a forma como é possível proteger as espécies e restaurar os oceanos, assim como as ferramentas de educação colocadas ao serviço das comunidades, o impacto das alterações climáticas, entre muitas outras temáticas.

O "SB Oceans" conta com a participação de cerca de 90 oradores nacionais e internacionais e pretende revelar exemplos de boas práticas nas mais diferentes áreas - ciência, moda, desporto, cultura, banca, turismo, educação, transportes, meios de comunicação social e até mesmo influenciadores - que contribuem para a preservação nos oceanos. Além das palestras, o programa contempla atividades paralelas, como masterclasses, workshops e projeção de filmes.

Alexandra Cousteau e o futuro dos oceanos em 2050

Alexandra Cousteau, que segue o legado do avô Jacques-Yves Cousteau e da família na defesa dos oceanos, abre o programa, no dia 14. A ativista e cineasta defende que os oceanos são resilientes quando recriamos condições que lhes possibilitam reflorescer e que ainda vamos a tempo de reabilitar zonas mortas, reconstruir habitats marinhos e combater a acidificação oceânica.

Essa nova política de florestação, alargada à escala mundial, permite reter o dióxido de carbono, criar milhões de novos empregos na economia azul e aumentar o número de peixes nos oceanos, de forma a responder às necessidades da população mundial. Alexandra Cousteau acredita que estes objetivos podem ser atingidos em 2050.

Pos sua vez, a jornalista da CNN Arwa Damon vem explicar como passou dos campos de batalha para a luta ambiental. Ao longo da sua carreira, tem vindo a fazer reportagens em cenários de guerra, como o Iraque ou a Síria, ou revoluções políticas, como a Primavera Árabe. Contudo, o seu fascínio por outro tipo de batalhas - as ambientais - tem conduzido Arwa Damon até à Antártida e ao Ártico, com a Greenpeace, pelo que vem ao "SB Oceans" falar sobre o seu percurso.

Acabar com o plástico com uma resposta social

Outro dos testemunhos em destaque é o da Plastic Bank, cuja missão é acabar com o plástico nos oceanos. O projeto é desenvolvido em comunidades com graves dificuldades económicas que vivem em zonas contaminadas pelo plástico, como o Haiti. Aqui, o plástico recolhido pelas populações é trocado por dinheiro, bens e serviços, e também aproveita aos empresários locais que cobrem os seus produtos em plástico, promovendo a sua reciclagem e reutilização contínua.

O trabalho desenvolvido pela Plastic Bank tem vindo a ser premiado, tendo inclusive sido destacado no filme "A Plastic Ocean", com produção de Leonardo Di Caprio.

Criação de tecidos a partir de plástico já utilizado

A Waste2Wear encara o plástico como um material-base que serve como recurso para criar algo novo. A empresa foi uma das primeiras a utilizar a tecnologia para criar tecidos e produtos têxteis a partir de plástico já utilizado e proveniente dos oceanos. A Waste2Wear apresentou neste mês a primeira coleção de tecidos criados a partir de plástico recolhido nos oceanos, que é totalmente rastreável utilizando a tecnologia "blockchain", o que permite ter acesso a todos os passos da criação dos produtos.

Declarar guerra ao plástico com soluções concretas

A SB Oceans vai dar a conhecer uma nova tecnologia criada pelo Centre of Regenerative Design and Collaboration (CRDC), que permite transformar o plástico encarado como lixo num novo produto que pode ser utilizado no setor da construção, estimulando a economia. Este produto, apelidado de EcoArena, já foi testado e está a ser usado comercialmente na Costa Rica. Donald Thomson, CEO da CRDC, vai anunciar, em primeira-mão no SB Oceans, o lançamento de uma solução global e de um fundo de investimento para facilitar a guerra contra o plástico.

Público do evento "retira" plástico dos oceanos

Só por assistir ao evento, o público já estará a ajudar os oceanos. Através da parceria com a Plastic Bank, a SB Oceans irá retirar dos oceanos 84 quilos de plástico por cada pessoa que marcar presença na conferência, o que é o equivalente à quantidade de plástico que cada um de nós utiliza e descarta anualmente.

O público receberá um certificado personalizado e acesso a um link que permite perceber em que local do mundo a sua quantidade de plástico vai ser retirada, além de dicas sobre práticas sustentáveis.

Os bilhetes para o "SB Oceans" podem ser adquiridos através do site do evento.