Cultura

TNSJ assinala fim do centenário com programação online

  • Porto.

  • Notícia

    Notícia

DR_a_espera_de_godot.JPG

DR

Neste sábado e domingo, o Teatro Nacional São João (TNSJ) assinala o encerramento do ano do centenário do seu edifício-sede com a estreia da peça “À Espera de Godot”. Haverá ainda espaço para um programa virtual composto por conversas, entrevistas, documentários e a apresentação de outros espetáculos que já passaram pelo São João.

“Talvez devêssemos recomeçar tudo”, pondera Vladimir. “Pode-se começar de onde se quiser”, afirma Estragon. É desta forma que o discurso das personagens do espetáculo “À Espera de Godot”, apresentado no próximo domingo, dia 7, no universo online, permitem, em forma de premissa dos tempos que se vivem, anunciar as celebrações que marcam o fim do centenário do emblemático edifício projetado pelo arquiteto Marques da Silva.

E uma vez que o “teatro começa todos os dias e todas as noites”, pode ler-se no comunicado do TNSJ, as iniciativas arrancam já neste sábado, pelas 18 horas, com uma conversa sobre o espetáculo “Exatamente Antunes”, de Jacinto Lucas Pires. De seguida, será possível revisitar o mesmo espetáculo, que parte da reescrita do romance “Nome de Guerra”, de Almada Negreiros, numa transmissão especial na RTP2.

Já no domingo, às 8 horas, o convite passa por uma visita guiada ao TNSJ, num documentário de Luís Porto, que dá a conhecer o edifício centenário. Segue-se a apresentação digital da conferência-concerto “Válvula”, às 10 horas, uma criação de António Jorge Gonçalves e Flávio Almada sobre o grafiti. De resto - e como o Natal é quando o homem quiser - às 16 horas serão apresentadas três ceias natalícias, através das quais se vão conhecer as vidas de três casais disfuncionais na peça “Comédia de Bastidores”. Por fim, segue-se, às 22 horas, e em forma de encerramento, o espetáculo “O Balcão”, de Jean Genet, encenado no ano passado por Nuno Cardoso, diretor artístico do TNSJ.

No entanto, a efeméride não fica por aqui e vai-se prolongar até ao final de 2021 com uma exposição, um colóquio internacional e ainda o lançamento de alguns volumes dos Cadernos do Centenário.

Uma tragicomédia em dois atos

O espetáculo resulta do desafio lançado pelo Teatro São João ao encenador multipremiado Gábor Tompa. O também presidente da União dos Teatros da Europa – organização que congrega alguns dos mais importantes teatros públicos europeus e da qual o TNSJ faz parte – revisita assim o clássico de Samuel Beckett, como um maestro que recria uma “estrutura musical de uma assombrosa precisão”.

Na peça sobre dois palhaços-vadios, Estragon e Vladimir, onde “nada acontece, duas vezes”, Gábor Tompa serve-se do texto original e, respeitando a sua estrutura, termina o espetáculo com a obra coral de Fernando Lopes-Graça. “Queria expandir um pouco a peça e ter uma canção portuguesa (…) Há tantos milagres a acontecer ao nosso redor e a que não prestamos atenção: uma árvore que reverdece, a forma como a música e a arte tocam as pessoas”, afirma o encenador em comunicado.

A produção própria do TNSJ, com atores que fazem parte do elenco residente, foi a escolhida para assinalar o encerramento das comemorações dos 100 anos, e tem estreia marcada para este domingo, às 19 horas, no palco online do teatro, através de uma transmissão em direto realizada por Luís Porto. Antes, às 12 horas, será ainda possível assistir a uma entrevista do encenador romeno nos canais digitais do São João.

Cada espetáculo tem o custo de 2 euros e toda a programação e informações sobre a bilheteira online podem ser consultadas aqui.