Sociedade

The Guardian acompanha o desconfinamento no Porto e relata como está a cidade a encarar esta nova fase

O jornal britânico "The Guardian" descreve como está a correr o desconfinamento na cidade do Porto, fala sobre a reabertura de cafés e restaurantes, e conclui que os portuenses estão a sentir falta dos turistas "até mais do que o esperado".

Esta dualidade é descrita pelo olhar do correspondente do "The Guardian" no Porto, Oliver Balch, que aproveita para medir o pulso de uma cidade que sempre conheceu fervilhante, com turistas de mapa na mão a calcorrear o Centro Histórico, e senhora de uma energia única, que abraça o viço da classe trabalhadora que se apeia ao balcão dos cafés para um rápido simbalino e comunga da mesma vitalidade quando as "senhoras de idade fofocam a um canto das ruas".

No imaginário do jornalista, a sua primeira saída pós-confinamento seria, por isso, "um momento alegre, cheio de barulho e de alegria, mas na verdade este silêncio é relativamente desconcertante", constata. Quando regressa ao café onde é cliente de todos os dias repara que a frequência ainda não é aquilo que era, mas vale pela vontade dos proprietários "em levar o barco para a frente". Depois de mais de dois meses de confinamento, entendem que é tempo de reabrir em segurança e voltar a reerguer o negócio.

Curioso também é que compare no artigo, publicado online, este momento do desconfinamento "ao primeiro dia aulas" após as férias grandes de verão. Contudo, a euforia é substituída por uma certa melancolia.

"Também estou surpreso com as emoções provocadas pela falta de multidões de turistas. Pensei que a sua ausência seria, digamos, libertadora. Uma oportunidade de recuperar a cidade; uma pausa bem-vinda no inglês que se ouvia ao virar de cada esquina. Mas não. Os turistas podem estar aqui hoje e partir amanhã, mas, de uma maneira que eu nunca pensado antes, eles são uma parte intrínseca da cidade", considera.

Por outro lado, Oliver Balch acreditava que os portuenses estariam, de certo modo, agradados pelo facto de, pela primeira vez em muitos anos, poderem ter a cidade "só para si", sem a partilhar com visitantes. Mas também não é isso que acontece.

"Nunca vivenciei a cidade sem guias e grupos de turistas, por isso não tenho um ponto de comparação anterior a esta sensação de vazio. Talvez seja por isso que sinto falta de como era a cidade que conheci. Mas, na verdade, o meu amigo José, que mora no centro do Porto e se junta a mim para tomar um café, também confessa uma certa saudade dessa agitação diária. Sim, os moradores ou 'locais' adoram lamentar o fluxo de turistas: as rendas altas, o barulho constante, os preços mais altos. Mas, como ele prontamente admite, a cidade está agora mais animada e habitável do que nunca".

Até à cidade voltar a receber o número de visitantes que recebia antes da pandemia ainda vai levar algum tempo, mas no artigo do "The Guardian" fica ainda claro que o setor do comércio local, hotelaria e restauração encara os próximos meses como um desafio que será superado. Olhando para o consumo interno e reinventando-se nas ofertas e na forma de atrair clientes.

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