Política

"Sinto-me totalmente portuense. Estou em casa"

Miguel Nogueira e Filipa Brito

Quem hoje assistiu à atribuição da Medalha Municipal de
Honra da Cidade a Richard Zimler, com certeza percebeu, no abraço expressivo ao
presidente da Câmara, a emoção de um cidadão que se sente "agradavelmente
surpreendido, comovido e grato" pelo afeto e reconhecimento que lhe tem o Porto.
Os sentimentos, sabemos, são recíprocos.


Antes da entrega das Medalhas da Cidade, Rui Moreira referiu-se
ao escritor originário em Nova Iorque como "um portuense que nasceu longe, fazendo
o Porto maior, enorme, imenso". Zimler "projeta-nos no Mundo e traz-nos Mundo.
E tudo isso com a sua paixão doce pelo Porto".


É essa paixão que o autor assume já com saudável bairrismo
tripeiro. "Sinto-me totalmente portuense. Moro aqui há 27 anos. Os meus amigos
vivem cá, eu conheço os lojistas do meu bairro, é onde passo o meu dia-a-dia",
contou ao Porto.


"Totalmente à vontade" com o jeito da cidade, já não se
imagina a deixá-la. "Posso até passar uns meses cá e outros em Paris, noutro
lado, mas sempre sabendo que volto para o Porto. É a nossa casa" - frisou, para
depois afirmar com humor: "Se calhar até já falo com sotaque portuense, não sei,
misturado com o nova-iorquino".  


Confessando ter ficado "absolutamente atónito" quando soube
que iria receber a Medalha de Honra da Cidade, Richard Zimler quis aproveitar para
mostrar a sua gratidão "ao presidente da Câmara, aos vereadores, aos meus
leitores e a toda a gente do Porto".


Agora a pergunta: o que torna o Porto tão especial? Entre várias
razões, seguramente por ser "uma das poucas cidades europeias grandes que continua
a ser genuína. Acho que as pessoas reconhecem isso", responde quem conhece
muito mundo, já com vários prémios literários na carreira e romances nas listas
de best-sellers de vários países.


A entrega das Medalhas da Cidade decorreu esta manhã no
jardim da Casa do Roseiral. Este ano, a autarquia reconheceu 26 cidadãos e
instituições.