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Rui Moreira apela à união na concretização do Pacto do Porto para o Clima

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O presidente da Câmara do Porto afirmou que a “guerra política” não pode “destruir a espinha dorsal das políticas” que a autarquia está a tomar para atingir a meta da neutralidade carbónica. Esta segunda-feira, a Assembleia Municipal deliberou passar a gestão do Pacto do Porto para o Clima e da Missão Europeia “Cidades Inteligentes e com um Impacto neutro no Clima” para as mãos da Porto Ambiente.

Confirmando este compromisso como “um pacto de intenções”, Rui Moreira sublinhou a importância de “que estejamos alinhados” uma vez que “a grande questão que se vai colocar a seguir é evitar o greenwashing”.

O termo, que define a atitude de algumas organizações que “branqueiam” ações efetivas de minimização do impacto ambiental negativo com aposta em ações de marketing para convencer consumidores, foi introduzido pela deputada socialista Helena Maia, que referiu a importância da “criação de um conselho de monitorização” das medidas assumidas no Pacto do Porto para o Clima, para que “não seja apenas um programa de boas intenções e medidas vazias”.

O presidente da Câmara do Porto admite que a inclusão da cidade entre as 100 congéneres europeias que vão liderar a neutralidade carbónica “é um reconhecimento de que as políticas que estamos a seguir vão no caminho certo”. No entanto, “temos que encontrar formas para medir que o empenho declarado pelos stakeholders, públicos ou privados, se concretizem”.

E tal, considera Rui Moreira, “só é possível se envolver toda a população, o poder político não chega”. Uma vez que “não estamos a falar de uma ameaça longínqua, mas de uma emergência real”, “todos vamos ter que nos empenhar e fazer a diferença”.

É por isso que o presidente da Câmara apelou a que “as forças políticas na cidade estejam solidárias com essas medidas” até porque ainda é preciso “convencer os cidadãos” a olhar para as suas ações e “o proibicionismo não resolve”.

“Estamos disponíveis para ter vias de partilha, onde as bicicletas e os automóveis convivem, sabendo que isso modera a velocidade? A alterar a questão da logística em termos do e-commerce que hoje é um fator terrível na cidade?”, questionou Rui Moreira, reforçando que esta “é uma matéria fundamental que espero que una as forças políticas da cidade”.

O vice-presidente, Filipe Araújo, reforça que o pacto “é um projeto que devemos abraçar como sociedade”. O também vereador com as áreas do Ambiente e Transição Climática lembrou que o Município do Porto “atua apenas em 6% das emissões” e, portanto, “isto deve envolver-nos a todos” porque “somos muitos e todos são necessários”.

Deputados assumem fazer parte do todo na descarbonização da cidade

Do lado do PS, Helena Maia assume que “chegar à neutralidade em 2030 é um desafio bastante ambicioso”, mas que o Pacto do Porto para o Clima é uma boa ferramenta, uma vez que segue a Lei de Bases do Clima, “uma lei inovadora a nível europeu e instrumental para que Portugal continue a liderar a descarbonização”.

Admitindo que a cidade “tem dado passos certos”, Paulo Vieira do Castro, do PAN, garantiu que “estaremos dispostos a acompanhar [as medidas] para que seja possível um Porto onde todos possam viver”.

O deputado do PSD, Rodrigo Passos, sublinhou como “é bom ver as palavras a passar a ação política e os compromissos a serem assumidos”. “Estes compromissos e pactos são essenciais porque vão ser as autarquias a liderar o processo da neutralização carbónica”, acredita.

Na reunião da Assembleia Municipal, Susana Constante Pereira, do Bloco de Esquerda, afirmou que “o compromisso que o Município tem assumido denota o quão importante é esta meta [da descarbonização]”, lembrando que “não é só necessário termos o pacto, mas toda uma série de medidas de intervenção de fundo” em áreas como a mobilidade, rede pública de transporte, rede de energia, ou impermeabilização dos solos”.

Da bancada “Aqui Há Porto”, Raúl Almeida sublinhou que “o Município está a fazer o que deve e pode, mas este é um exercício de corresponsabilização”. “Vamos ter que alienar alguma comodidade para garantir um futuro sustentável e isso só se faz com todos”, afirmou.

Por seu lado, o deputado da CDU, Rui Sá, mostrou preocupações uma vez que “vemos a Europa a tomar medidas [relacionadas com a energia nuclear, o gás natural ou o uso do carvão] que deitam por terra um conjunto de esforços que estão a ser feitos”, e que "são um retrocesso brutal do ponto de vista da descarbonização”.

Bloco de Esquerda e Partido Social Democrata aproveitaram o momento para anunciar que as respetivas concelhias vão assinar o Pacto do Porto para o Clima.