Sociedade

Rui Moreira apela à responsabilidade individual e descarta medidas avulsas antes da reunião do Conselho de Ministros


O presidente da Câmara do Porto deixou esta tarde um apelo aos munícipes para que sejam responsáveis e cumpram com rigor as medidas preventivas. Rui Moreira diz que "é impossível confinar novamente a cidade", porque as consequências seriam "muito mais graves". O autarca, que reuniu hoje com a Comissão Municipal de Proteção Civil, vai aguardar pelo anúncio que o Governo fará neste sábado, porque entende contraproducente a tomada imediata de "medidas avulsas". Em função das competências que forem confiadas aos municípios após o Conselho de Ministros, anunciará novas medidas para o Município do Porto no início da próxima semana.

"Entendi - e foi absolutamente claro com todas as pessoas com quem falei - que devemos aguardar tranquilamente pela deliberação do Conselho de Ministros que decorrerá este sábado", informou esta tarde Rui Moreira numa mensagem de vídeo gravada.

"Depois de ouvir os partidos, o Governo irá tomar medidas e anunciar medidas. E é em função dessas medidas que saberemos quais as competências que os municípios têm. Nesse momento, tomaremos as decisões", assegurou o presidente da Câmara do Porto, que apelou ainda à serenidade e ao cumprimento coletivo das regras que vierem a ser definidas, "por mais penosas que elas sejam".

"Na próxima semana, aqui estarei para vos anunciar as medidas que teremos de tomar e que dependam de nós. Aquilo que eu não farei é anunciar medidas que não dependem de mim, nem farei pressão pública. Este é um tempo de nós confiarmos naqueles que têm as competências", sublinhou o autarca.

O presidente da Câmara do Porto, que antes do comunicado reuniu com a Comissão Municipal de Proteção Civil, por videoconferência, num encontro participado pelos administradores dos dois hospitais da cidade, vereadores, representantes dos Agrupamento de Centros de Saúde, PSP, Polícia Municipal e Capitania, constatou ainda que o país e a Europa estão a viver a segunda vaga da pandemia.

Contudo, ao contrário da primeira vaga, desta vez o confinamento geral - que Rui Moreira admite ser o único método "verdadeiramente eficaz" para conter a contaminação - não será possível, pelo "efeito altamente pernicioso e pelos impactos sociais e económicos" que acarreta.

Tendo-lhe sido informado pelos gestores hospitalares e centros de saúde que a pressão sobre os cuidados de saúde é grande, "apesar do reforço significativo" de meios, o presidente da Câmara do Porto apelou aos comportamentos responsáveis dos cidadãos.

"Se sabe que é caso: isole-se!"; "Se é sintomático: avise amigos e familiares que contactaram consigo nas 48 horas anteriores"; "Se está assintomático mas testou positivo: avise todos aqueles com quem esteve nos dois dias anteriores; "Elimine a máscara de forma adequada e segura, é uma questão de civilidade", elencou.

Rui Moreira advertiu ainda a quem faz exercício físico para ter cuidado e se afastar de outras pessoas na via pública, precavendo assim contactos próximos desnecessários; e dirigiu-se aos jovens para que "evitem as festas informais", porque a forma de ultrapassar esta situação mais depressa "depende da nossa capacidade de sacrifício", considera.

Por fim, o autarca denunciou ainda "a epidemia de violência" que grassa entre os cuidados de saúde, principalmente nos primários. Os profissionais de saúde estão "cansados e exaustos, e também eles têm famílias", declarou.

Nesse sentido, pediu aos cidadãos que sejam sensíveis ao grande desgaste a que estes profissionais estão sujeitos e que, sempre que possível, optem por alternativas que não contribuam para a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde. A propósito, o presidente da Câmara do Porto lembrou o protocolo estabelecido entre o Município e a Associação Nacional de Farmácias, para a administração da vacina da gripe nas farmácias da cidade, aos munícipes a partir dos 65 anos de idade.