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Porto reitera compromisso com metas de sustentabilidade

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A palavra-chave para os próximos anos será sustentabilidade, e o Município do Porto está a trabalhar ativamente para ser cada vez mais “verde”. Os temas da eficiência energética e descarbonização estiveram em debate na VIII Semana da Reabilitação Urbana, num painel em que foram também abordadas as diretrizes do pacto ecológico europeu.

Tempos excecionais requerem medidas excecionais, e as questões do ambiente não podem deixar de constituir uma prioridade para as próximas décadas. No painel “Green Deal – A oportunidade de um futuro mais verde!”, integrado no programa da VIII Semana da Reabilitação Urbana, debateram-se as ações a tomar, mas também as oportunidades económicas que acompanham o desenvolvimento sustentável das cidades.

“As alterações climáticas e a degradação a que se tem assistido no ambiente representam uma ameaça à Humanidade. Fazem-nos questionar todos os modelos económicos, sociais, de organização, que conhecemos”, apontou na sua intervenção o vice-presidente da Câmara do Porto, e vereador da Inovação e Ambiente, Filipe Araújo.

A resposta europeia ao problema surge por intermédio do Green Deal, pacto ao qual o Município do Porto se associou, assumindo o compromisso de reduzir 50% das emissões de dióxido de carbono até 2030, mas com os olhos postos na meta de alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

“Numa Europa de regiões, temos, enquanto cidade e enquanto Região Norte, de assumir a nossa parte”, sublinhou Filipe Araújo, notando que “no quadro nacional, a Região Norte produz hoje mais de 50% da energia renovável do país”.

A energia e o seu uso eficiente são, aliás, aspetos cruciais das políticas de sustentabilidade. Nesse particular, o Porto tem adotado uma série de boas práticas: “Dou um exemplo: a distribuição de água no Município do Porto é maioritariamente feita através da força gravítica. Nós não utilizamos energia para fazer essa distribuição”, ilustrou Filipe Araújo.

“No Porto o compromisso é muito grande nestes temas”, reforçou o vice-presidente da Câmara do Porto, acrescentando: “Há a ambição clara de liderar, dando o exemplo, inovando, arriscando e assumindo medidas disruptivas que possam servir de inspiração a outras entidades, do setor público e privado. Estamos a trabalhar para atingir a neutralidade carbónica ainda antes de 2050. Até agora chegámos a 36% de redução, e estamos num caminho extremamente acelerado neste sentido”.

Este percurso faz-se com passos seguros e medidas concretas. “Atualmente, toda a energia que é consumida pelas infraestruturas municipais, pela iluminação pública, é 100% renovável. A nível de transportes, a aposta no Metro e nas futuras linhas que aí vêm, a renovação da frota de autocarros da STCP, e a gratuitidade até aos 18 anos, a eletrificação de toda a nossa frota municipal, que hoje já percorreu mais de 4 milhões de quilómetros em modo elétrico. Nos edifícios, com o Porto Solar, onde temos cerca de 29 edifícios em autoconsumo, maioritariamente escolas. E os mais de 100 milhões de euros que investimos nos últimos anos na reabilitação dos edifícios de habitação social, com aumento da eficiência energética de mais de 40%. Estamos também a trabalhar na eficiência com a iluminação pública LED”, enumerou o vereador da Inovação e Ambiente.

Um esforço distinguido pela organização internacional CDP – Transparência, Visão, Ação, entidade que apoia investidores, empresas, cidades e regiões a gerir os impactos ambientais e colocou o Porto entre as 88 cidades do mundo que são líderes ambientais. O reconhecimento “vem reforçar a aposta da cidade na adaptação às alterações climáticas”, admitiu Filipe Araújo.

“Os temas da energia representam grandes oportunidades para o setor da construção”, vincou ainda o vice-presidente da Câmara do Porto, que interveio num painel que contou ainda com o presidente da ADENE – Agência para a Energia, Nelson Lage; o coordenador de Política Energética da Comissão Europeia, Vasco Ferreira; o vice-presidente da Ordem dos Engenheiros Técnicos, José Manuel de Sousa; a vice-presidente da CCDRN – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Célia Ramos; e o Technical Manager da Avenue, Luís Afonso.

“Cerca de um terço de emissões de CO2 resultam da energia utilizada nos edifícios, o que demonstra a importância deste setor. Na cidade do Porto este valor é bastante superior, estamos acima dos 50% de emissões de CO2 provocadas pela energia utilizada em edifícios habitacionais ou de serviços. Portanto, precisamos de uma estratégia sólida quanto à renovação dos edifícios, e devemos principalmente apostar na renovação de edifícios de grandes dimensões: hospitais, escolas, universidades”, frisou Filipe Araújo.

Para tal, o Município aposta no Índice Ambiental do Porto, enquanto instrumento de incentivo à construção sustentável: “Esta é uma medida inédita, em que apostamos muito nesta revisão do Plano Diretor Municipal que está em consulta pública. Estamos convencidos que será um importante instrumento para a cidade do Porto”.

Também aqui a Câmara do Porto procura liderar pelo exemplo. “Tentamos mostrar que é possível avançar mais rápido. As obras que temos em curso no Edifício de S. Dinis ou no Terminal Intermodal de Campanhã, serão edifícios que consumirão 30 a 40% menos energia, terão sistemas eficientes de gestão da água e seu reaproveitamento, apostarão na ventilação natural, na produção de energia, e outras soluções bioclimáticas”, resumiu Filipe Araújo, para concluir que “os próximos anos serão decisivos”. “A única coisa que me preocupa é que saibamos utilizar da forma correta os fundos que vamos ter disponíveis. Para em 2030 olharmos para trás e dizermos que fizemos a melhor utilização deste dinheiro que tivemos disponível”, enfatizou.