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Placa "Porto de Tradição" ilustra mais três estabelecimentos históricos da cidade

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Com o intuito de salvaguardar e promover a sustentabilidade de estabelecimentos comerciais de interesse histórico, o programa "Porto de Tradição" tem ajudado casas icónicas da Invicta a manterem o negócio sólido e ativo. Desta vez, o vereador das Atividades Económicas, Ricardo Valente, presenteou mais duas lojas e um café – Mundo dos Tecidos, Casa Hortícola e Cafetaria Sical – com a placa que reconhece a inclusão na iniciativa, que arrancou em 2017.

"O processo é dinâmico. O programa nasce de uma lógica voluntária. As lojas é que apresentam as candidaturas", explica Ricardo Valente, ao notar que a iniciativa só existe "pela vontade das pessoas" que querem fazer parte dela.

É o caso da família Martins, que, há pouco mais de um ano, lançou a candidatura ao programa, do qual agora a sua loja, Mundo dos Tecidos, faz parte.

"Para mim é uma honra. Já estou nisto há mais de 45 anos, esta casa tem 37 anos, e isto é uma gratificação de todo o trabalho que temos feito", refere Deolinda Martins, que, juntamente com o marido, Abílio, e os filhos, Tânia e Nuno, tem levado o negócio para a frente.

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Localizada na central Rua Fernandes Tomás, n.º 851, a colorida loja Mundo dos Tecidos é, todos os dias, visitada por inúmeros clientes, entre eles turistas dos quatro cantos do mundo.

"Vêm aqui, constantemente, ingleses, italianos e espanhóis", conta Deolinda, que, apesar de já "saber alguns termos", pretende aderir ao curso de inglês disponibilizado pelo Município, de modo a colmatar algumas dificuldades de comunicação.

Esta loja é linda

A poucos metros localiza-se a histórica Casa Hortícola. "Esta loja é linda", observa Ricardo Valente. Quem entra dá de caras com um balcão centenário, que, em tempos, serviu uma salsicharia ali sediada. Atrás dele está António Ferreira de Sousa, que passou 75 dos seus 95 anos na loja situada no exterior no torreão sul do Mercado Bolhão.

Emocionado, o dono do estabelecimento recebeu a placa oferecida pelo vereador das Atividades Económicas, agradecendo o reconhecimento com um abraço sentido. "É uma prenda muito importante. Tive muito prazer em receber esta lembrança", admite o nonagenário, que passou a maior parte da sua vida em profunda harmonia com as sementes, plantas e bolbos.

Ao majestoso candeeiro que ilumina a loja e aos estuques marmóreos, junta-se agora a placa "Porto de Tradição", que vai ser colocada "em destaque na montra", garante António Ferreira de Sousa.

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Ficamos blindados e isso é bom

O programa “Porto de Tradição” também apoia estabelecimentos de restauração. O responsável pelo pelouro das Atividades Económicas entregou, na Cafetaria Sical, na Praça D. Filipa de Lencastre, mais uma placa cinzenta, que muito honra os irmãos Fernandes.

Com a distinção "ficamos blindamos para não termos de passar por situações que acontecem a casas históricas da cidade, que acabam vendidas a grupos grandes. Temos mais uma proteção e isso é bom", nota Miguel, ladeado pelo irmão Nuno. Desde 2016, os dois têm mantido as portas do estabelecimento abertas, tentando dar continuidade à identidade de uma casa que nasceu na década de 1940.

Embora carreguem o peso da história da cafetaria – inscrita nas suas paredes em dois painéis de azulejo da autoria de Júlio Resende –, Nuno e Miguel têm modernizado o espaço e relatam que o estabelecimento é frequentado por clientes de todas as nacionalidades e faixas etárias. "Como estamos perto das Galerias [de Paris] beneficiamos do movimento que se cria nesta zona à noite", reconhece Miguel.

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Investimento de meio milhão de euros anuais

Ao entregar, em mãos, as placas, Ricardo Valente mostra-se orgulhoso da durabilidade do programa e dos progressos que cada estabelecimento tem feito a reboque do "Porto de Tradição", lembrando que o cumprimento dos critérios reconhecidos pela iniciativa é o ponto de partida do sucesso.

"Não podemos classificar todas as lojas, nem queremos classificar todas. Entendemos que o processo tem que ser seletivo. Temos que ter aqui critérios claros, que são bem definidos, objetivados, sem nenhuma participação política", salienta o vereador das Atividades Económicas, assinalando que esta avaliação é feita por equipas técnicas externas à Câmara Municipal, como é o caso da Universidade do Porto.

O autarca lembra que o programa é sustentado "por um fundo municipal único no país, no qual o Município tem investido, anualmente, meio milhão de euros que são canalizados para as lojas".

Mais de cem lojas reconhecidas

O objetivo é manter "o carácter identitário, cultural, associado ao comércio, que é muito importante para a cidade do Porto", refere o autarca, que defende uma expansão das competências municipais no que diz respeito à emissão de licenças para espaços comerciais.

No ano passado, o regulamento do "Porto de Tradição" foi revisto de forma a responder às atuais especificidades dos negócios, acrescentando a diferenciação de três áreas de atividade: comércio a retalho, restauração e prestação de serviços.

Até abril deste ano, e desde a criação da iniciativa, foram identificadas 112 lojas no âmbito do programa "Porto de Tradição".