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Para continuar a combater o isolamento social da população idosa, projeto Porto Importa-se avança para a terceira edição

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O balanço das duas primeiras edições do Porto Importa-se é positivo e dá alento para aprofundar o trabalho desenvolvido até aqui: o projeto destinado aos idosos residentes em habitação pública municipal, operacionalizado pela Domus Social, vai avançar para uma terceira edição, com o objetivo de continuar a combater o isolamento social deste segmento da população.

A revelação foi feita pelo vereador da Habitação, e também presidente do conselho de administração da Domus Social, numa sessão realizada ontem no Instituto Superior de Serviço Social do Porto (ISSSP) que serviu para apresentar os resultados alcançados desde 2017 no âmbito do Porto Importa-se. Este projeto tem como destinatários idosos com mais de 70 anos e casais com mais de 75 anos, residentes em habitação pública municipal e sem mais elementos no agregado familiar.

“Queremos continuar a combater o isolamento social. O diagnóstico da população está feito e temos conhecimento das situações concretas”, sublinhou Pedro Baganha, acrescentando: “São precisas soluções inovadoras, como as residências partilhadas que implementámos, em cooperação com as juntas de freguesia. Temos de reinventar os modos de habitar. Este Porto que se importa é o caminho para estarmos mais juntos e menos sós.”

Lembrando que “este projeto começou com Fernando Paulo” – o vereador da Coesão Social também marcou presença na sessão, ao lado da vice-presidente da Domus Social, Filipa Melo, e do vogal João Sendim – Pedro Baganha salientou que “as políticas de habitação da Câmara do Porto têm de responder e cada vez mais adaptar-se às necessidades e carências específicas da população”. “Um desses grupos é a população idosa. Temos um parque habitacional construído no século XX, sem as preocupações atuais”, prosseguiu o vereador da Habitação, notando o esforço que ainda é necessário: “A Câmara do Porto gere um parque habitacional com quase 30 mil inquilinos, dos quais 7500 idosos. É um número que não se pode ignorar.”

“Não podemos ignorar as circunstâncias sociais. O envelhecimento é, porventura, o maior desafio que o país enfrenta”, vincou Pedro Baganha, congratulando-se que o Porto Importa-se tenha nascido “do olhar atento e global dos técnicos da Domus Social”. “Estando presentes no terreno, decidiram agir, e a proposta deu origem a este projeto que nos orgulha”, recordou.

Balanço positivo

Uma das prioridades estratégicas da terceira edição do Porto Importa-se passará por reinvestir na continuidade da construção de parcerias sólidas, assentes nos recursos sociais e locais existentes, com destaque para as Juntas de Freguesia. “A figura do gestor de caso; a criação de uma plataforma de informação e comunicação em rede entre os profissionais que cooperam no projeto; ou a disseminação da utilização da tecnologia” são algumas das recomendações que resultam das primeiras duas edições do projeto, notou Joana Guedes, professora do ISSSP, a quem coube fazer a apresentação dos resultados.

“O isolamento social é um flagelo e a pandemia está a ter um impacto significativo nos recursos sociais e em número de intervenções sociais das pessoas mais velhas que vivem em habitação social no Porto”, alertou Joana Guedes, dando conta do trabalho que esteve na base do projeto: foi feito um diagnóstico gerontológico que permitiu traçar um perfil da população idosa residente nos bairros de habitação social do município do Porto, e, posteriormente, sinalizar os casos consideradas de maior risco de acordo com critérios definidos. Foi dada especial atenção a aspetos como a habitabilidade e acessibilidade, assim como um rastreio de saúde, cognitivo e emocional, para detetar eventual sintomatologia depressiva.

Na primeira edição (2017-2019), o Porto Importa-se chegou a 51% da população-alvo. Na segunda edição (2020-21) esse número cresceu para 63%. “O projeto é cada vez mais reconhecido e acarinhado no terreno”, congratulou-se a professora do ISSSP, enumerando os resultados alcançados: “Intervenções na habitação ou pedidos de transferência; articulação com as juntas de freguesia ou outras entidades; implementação de pulseiras de teleassistência; reforço de redes de vizinhança; angariação de ajudas técnicas; integração em centro de dia, ERPI (Estrutura Residencial para Idosos), SAD (Serviço de Apoio Domiciliário) ou projeto de voluntariado; mediação com a família; acesso a pensões e subsídios.”

Agradecimento emocionado

Três das utentes enquadradas no Porto Importa-se estiveram presentes no auditório do ISSSP para partilhar as suas experiências. Faltaram as palavras mas sobrou a emoção a Maria Justa, Isaura e Alicinha, que fizeram de agradecer repetidamente aos técnicos do projeto pelo papel que desempenham nas suas vidas. As suas visitas ou os contactos telefónicos – para mais numa fase de distanciamento imposto pela pandemia – reveste-se de valor incalculável para as três idosas.

“O mais importante são as pessoas. É para nós fundamental estar próximo das pessoas, contribuir para que tenham uma vida melhor”, sublinhou o presidente do Instituto Superior de Serviço Social do Porto. “Este é a mais completa parceria que estabelecemos com a Câmara do Porto”, acrescentou José Alberto Reis, lembrando o trabalho conjunto que remonta aos anos 1960.

Pelo trabalho desenvolvido, o projeto Porto Importa-se foi distinguido como Boa Prática Smart To-Do, por promover a Qualidade do Envelhecimento na Zona Norte do país, no encontro Ageing Summit, que decorreu em 2018 na Fundação de Serralves.