Sociedade

Novo PDM quer atrair mais empresas e investimento aliado à preservação do comércio tradicional

O próximo Plano Diretor Municipal (PDM) aposta na criação de condições para atrair empresas e investimento, e assim reforçar a centralidade da cidade ao nível metropolitano e nacional. Esforços que se conjugam com a projeção internacional da marca "Porto.", enquanto chancela que associa modernidade a tradição, uma cidade voltada para o futuro e para a inovação, que simultaneamente preserva o seu caráter e protege o comércio tradicional. Conheça as principais medidas. 

Os últimos anos inscrevem na história da cidade do Porto um período dinâmico, atrativo, espelhado em números que revelam uma economia em franco crescimento, alicerçada na captação de investimento externo e no turismo.

Mesmo em plena pandemia, o impacto da crise não está a afetar a instalação de novas empresas no Porto, concluiu um estudo recente.

A fórmula já está, portanto, inventada, e no próximo PDM será aprimorada, com a criação de zonas de atividade económica, sejam elas do setor empresarial ou de serviços, que ficarão definidas na planta de qualificação do solo. Correspondem a novas áreas de trabalho e de identificação urbana, em linha com os princípios da sustentabilidade e da criação de espaços verdes, transcritos no capítulo do Ambiente.

A densificação estratégica de zonas específicas da cidade, para incentivar atividades económicas e empresariais, apresenta-se como outra das apostas do documento estratégico, mesclando-se, neste ponto, com o objetivo de reforçar a oferta da habitação. A alteração do paradigma em relação ao PDM ainda em vigor, de 2006, reside muito nesta questão: evitar que as deslocações casa-trabalho se traduzam numa verdadeira dor de cabeça. Se é certo que o teletrabalho se democratizou com a pandemia, também é igualmente verdade que os cidadãos dão muito valor a este parâmetro na medição da sua qualidade de vida, entende o Município, que pretende ainda promover uma mobilidade cada vez mais verde e consciente.

Sendo estas as grandes linhas previstas pela Câmara do Porto para a instalação de novas empresas e negócios, e por consequência geradores de mais emprego, há igualmente ideias claras para proteger o comércio de rua, que poderão ser densificadas ao longo da próxima década. Entre as novidades, a autarquia assume o compromisso no próximo PDM de reduzir as taxas urbanísticas nas operações que promovam este tipo de comércio.

Atualmente, esse incentivo surge através de projetos como a plataforma de promoção local, "Shop in Porto", que já reúne mais de 1.300 aderentes ou, noutro âmbito, com a proteção das lojas históricas reconhecidas no âmbito do programa municipal Porto de Tradição

Além das empresas e do comércio, o novo PDM vai procurar, ao longo dos próximos dez anos, tirar partido da "aproximação à universidade", assinala o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha.

Por isso inscreve, como objetivo nesta área, potenciar o papel dos campus universitários como catalisadores da transformação do território. E a que mais precisa ser transformada, reconhece o vereador, é a zona oriental da cidade.

No Masterplan Estratégico para Campanhã estão previstos um eco-district, o Porto Innovation District Satellite, entre outros projetos, e o maior deles todos - a reconversão do Matadouro. Estas dinâmicas, antecipa o Município, serão positivamente influenciadas a norte do território de Campanhã pelo Campus da Asprela, e a sul pela dinâmica do Centro Histórico.