Sociedade

Maiores obras públicas em Portugal estão a decorrer no Porto e foram lançadas pela Câmara Municipal

Miguel Nogueira

As maiores obras públicas a decorrer em Portugal neste momento são na cidade do Porto e são municipais. O restauro e modernização do Mercado do Bolhão é a mais cara e a do Terminal Intermodal de Campanhã a que mais área ocupa. Há ainda a decorrer outras obras municipais, como a reabilitação do cinema Batalha, a requalificação da Avenida Fernão de Magalhães, que vai receber o primeiro sistema de metro-bus e a intervenção no Rio de Vila, para permitir a instalação de um museu subterrâneo e a do Liceu Alexandre Herculano (esta em parceria com o Governo).

Mas há muitas mais, nomeadamente nos bairros sociais e na via pública. Só na reabilitação da habitação social, a Câmara do Porto investe este ano mais de de 20 milhões de euros, ou seja, quase tanto como na obra do Mercado do Bolhão e mais do que no Terminal Intermodal. O Porto é, sem dúvida, o Município onde mais está a ocorrer investimento público e obra e onde a Câmara Municipal é o principal investidor.

Brevemente, outro grande investimento público será feito na cidade, mas este financiado pelo Estado Central. Trata-se da nova linha rosa do Metro do Porto, cujo início acontecerá dentro de dois meses. Esta nova linha irá ligar a Casa da Música a São Bento, passando próxima de equipamentos e locais tão importantes como o Centro Materno-Infantil, Praça da Galiza, Jardins do Palácio de Cristal, Hospital de Santo António e Estação de São Bento.

Ontem, Rui Moreira visitou a obra que está a decorrer para a construção do Terminal Intermodal de Campanhã, e que se encontra em prazo, transformando de certa forma a mobilidade em transporte público no Porto, já que o interface, que será também um enorme parque urbano, permitirá a intermodalidade com Metro e CP. A intervenção, orçada em cerca de 13 milhões de euros pagos integralmente pelo Município, insere-se numa área de 46 mil metros quadrados, o que faz dela a maior obra pública a decorrer em Portugal em extensão.

Mas a mais cara é a do Mercado do Bolhão, orçada em 22 milhões de euros, e que decorre já há algum tempo. Trata-se de duas obras de elevada complexidade, ambas prometidas há muitos anos à cidade. A do Terminal Intermodal, chegou a ser decidida num Conselho de Ministro que decorreu no Porto, em 2003, mas nunca foi construída. Só após o Acordo do Porto, negociado por Rui Moreira com o Governo em 2014, permitiu ao Município arrecadar, depois de décadas de reivindicação, as indemnizações pelos terrenos do Aeroporto e, simultaneamente, assumir que faria a obra nunca feita pelos sucessivos governos.

Já a do Mercado do Bolhão, estavam identificadas como sendo "urgentes" desde a década de 80. Depois de muitos projetos, de avanços e recuos, e com o mercado literalmente a cair aos pedaços, Rui Moreira lançou a obra que, além da empreitada principal, inclui também a construção de um túnel e já terminou uma intervenção de desvio de um curso de água no subsolo.

Em projeto estão muitas outras intervenções na cidade, nomeadamente a construção de uma nova ponte, que será paga, pela metade, pela Câmara do Porto e cuja empreitada será partilhada pela Câmara de Vila Nova de Gaia. E também a habitação, fora do setor social, receberá brevemente um grande investimento municipal, estando em preparação o lançamento de pelo menos três projetos para renda acessível, de ocidente a oriente na cidade.

Estas intervenções de investimento público estão a ser cofinanciadas, em alguns casos, por fundos comunitários, como é o caso do Liceu Alexandre Herculano, que tem também um forte investimento do Governo. Mas a grande fatia do investimento total de todas estas intervenções é municipal, sobretudo nas duas maiores já a decorrer (Terminal Intermodal e Bolhão), enquanto o Metro ficará a cargo de investimento nacional.

E se mais obra não acontece no Porto, isso também se deve a dificuldades como as que têm sido denunciadas por autarcas como Fernando Medina e Rui Moreira, que esta semana pediram uma audiência ao Presidente da República.