Sociedade

Irmandade dos Clérigos presta homenagem a D. Américo Aguiar pela sua obra no Porto

  • Isabel Moreira da Silva

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D. Américo Aguiar, Bispo auxiliar de Lisboa, foi homenageado pela Irmandade dos Clérigos, que não esquece o seu papel fundamental na requalificação da Igreja dos Clérigos e na dinamização cultural do monumento com maior notoriedade do Porto. “Este renascimento deu alento aos portuenses”, frisou Rui Moreira, durante uma homenagem que reuniu vários representantes e personalidades da sociedade civil do Porto e que contou ainda com uma palavra de agradecimento do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Só posso agradecer e dar o desconto, fruto da vossa amizade”, assinalou D. Américo Aguiar, recordando que não teria sido possível fazer obra se não fosse a congregação de tantas vontades. “Graças a Deus não temos Tribunal de Contas, senão nunca tínhamos feito a obra”, gracejou.

Na sua intervenção, o agora Bispo auxiliar de Lisboa quis partilhar aquele que é o seu sentimento em relação à cidade do Porto. “A cidade continua. Ainda há dias aprovou o novo Plano Diretor Municipal, significa que há futuro, há esperança. Quando olhamos para a cidade e vemos desenvolver-se o projeto do antigo Matadouro, e vemos desenvolver-se a plataforma intermodal de Campanhã, e vemos a ponte D. António Francisco dos Santos a ganhar vida ficamos felizes porque a cidade está viva e vemos renascer as coisas permanentemente”.

E fez o paralelismo com aquela que foi a sua atuação quando presidia à Irmandade dos Clérigos, na cerimónia que decorreu no início desta semana e que contou com a presença do presidente da Assembleia Municipal do Porto, Miguel Pereira Leite, pelo Professor Valente de Oliveira, pelo presidente da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, pelo presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, entre outros representantes. “O que fizemos foi isso. Na responsabilidade que nos foi confiada, tentámos fazer o que achávamos que era urgente, sempre com a preocupação de dar retorno à cidade”.

Não deixando a obra por mãos alheias, lembrou a obra de Nicolau Nasoni, no dia em que se assinalavam 290 anos sobre decisão da construção da Torre dos Clérigos. “Fruto da nossa cidade ter sempre pessoas competentes e boas para fazer as coisas no tempo certo, por muito que nós não avaliemos no momento, porque sempre que se faz uma obra toda a gente diz mal”, comentou.

Recordando ainda a intervenção do “senador Valente de Oliveira” e reconhecendo que “graças a ele temos concertos diários até hoje” (desde o restauro da Torre dos Clérigos já foram realizados mais de 2.000 concertos, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia do Porto e do Palácio da Bolsa”, D. Américo Aguiar dirigiu ainda uma palavra a Rui Moreira: “o nosso burgomestre conta connosco e nós contamos consigo, para que a cidade continue a borbulhar, porque o Porto é o Porto”, concluiu.

O presidente da Câmara do Porto, que já tinha precedido esta intervenção, salientou que “é bom poder homenagear pessoas quando estão de saúde e vivas. Infelizmente temos o hábito de o fazer em Portugal quando as pessoas já não estão cá ou estão a caminho”. Para Rui Moreira, quando D. Américo Aguiar foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, “tive um sentimento misto, acho que toda a cidade teve. Por um lado, o justo reconhecimento por aquilo que o senhor aqui fez, ao mesmo tempo aquele sentimento de que o íamos ter a alguma distância”, recordou o autarca, salientando a amizade pessoal que tem com o homenageado.

“A cidade tem consigo uma relação especial que foi construindo. Porque teve esse impulso de convencer as pessoas a nunca dizer que não; isso é um dom”, continuou Rui Moreira, realçando que sob os auspícios de D. Américo Aguiar “esta igreja renasceu”, “independentemente do turismo e da questão económica”, sublinhando ainda que fez bem ao ego dos portuenses e ao seu sentimento de pertença.

A homenagem foi ainda pautada pelas intervenções do Bispo do Porto, D. Manuel Linda, pelo presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Manuel Fernando Soares da Silva, pelo presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, pela diretora da Direção Regional de Cultura do Norte e, em vídeo, pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Todas transversais nos elogios à obra de D. Américo Aguiar, destacando-se que “soube congregar vontades” e colocar a Igreja dos Clérigos no mapa do mundo.

De acordo com números apresentados por Luís Pedro Martins, “antes da intervenção recebíamos cerca de 150 mil turistas, e na altura que D. Américo Aguiar termina as suas funções recebíamos cerca de 1,5 milhão de turistas”.