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Histórias da cidade: a fortaleza na Foz onde viveu a poetisa Florbela Espanca

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Miguel Nogueira

São várias as camadas de história que se encontram reunidas junto do local onde o Douro abraça o Atlântico. Edificado durante o século XVII, sacrificando uma igreja renascentista, o Forte de São João Baptista da Foz albergou durante alguns meses, no século XX, um nome maior da literatura portuguesa.

As vistas do mar e do rio atraem o olhar, e os encantos do Jardim do Passeio Alegre, mesmo ali ao lado, são convidativos. Mas há várias histórias para desvendar no Forte de São João Baptista da Foz, construído no século XVII, após a Restauração da Independência, para servir de defesa da costa marítima.

A fortificação tem a curiosidade de ter servido de residência a Florbela Espanca. Em 1921, acompanhando o seu marido, António José Marques Guimarães, um dos oficiais da guarnição, a poetisa morou no Forte de São João Baptista da Foz, conta no seu site o Instituto da Defesa Nacional.

Também conhecida como Castelo da Foz, a fortaleza tirou partido do posicionamento estratégico da antiga Igreja de São João Baptista, a primeira construída em Portugal ao gosto da Renascença, que já existia no local. Na verdade, há vários séculos que se construía ali: houve naquele sítio uma ermida medieval, edificada à época do Condado Portucalense, que foi substituída pela igreja renascentista. No século XVI, o templo seria equipado com uma defesa abaluartada para defesa da foz do Douro.

Já no século XVII, depois da Restauração da Independência, a defesa da costa para prevenir novos ataques implicou a reforma e modernização das fortificações já existentes. No caso do Castelo da Foz, foi um trabalho do engenheiro francês Charles Lassart. Os trabalhos, que implicaram o sacrifício da igreja renascentista, parcialmente demolida, terminaram em 1653.

Ao longo dos anos o monumento foi alvo de outras intervenções. O portal de acesso ao forte, que possuía um fosso com ponte levadiça, foi elaborado já no final do século XVIII. A história do Cerco do Porto também passou por ali: durante o período em que a cidade esteve sitiada, o Forte de São João Baptista da Foz protegeu o desembarque de bens e auxílio para as tropas liberais na Invicta.

O forte seria ainda utilizado como prisão, antes de passar por um período de abandono durante o século XX. Recuperado pela Câmara do Porto, o edifício – classificado como Imóvel de Interesse Público – está atualmente ocupado pela sede do Instituto da Defesa Nacional.