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Estudo de investigadores do Porto sobre diabetes faz capa de revista científica americana

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Filipa Brito

Trabalho de equipa do i3S sobre o papel do DNA não-codificante no desenvolvimento da diabetes tipo 2 mereceu honras de capa da edição de dezembro da revista americana “Diabetes”.

Um grupo de investigadores do i3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto) descobriu que a presença de variantes em sequências de DNA não-codificante pode provocar alterações em toda a “maquinaria” genética e interferir no funcionamento do pâncreas, contribuindo assim para o desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Com este estudo, publicado na edição de dezembro da prestigiada revista científica americana “Diabetes” e que mereceu destaque de capa, a equipa de investigadores ajuda a desvendar um dos grandes mistérios da genética: o verdadeiro papel do DNA não codificante.

Esta é uma parte substancial do repositório da nossa informação hereditária que regula a atividade dos nossos genes e, consequentemente, o bom funcionamento do nosso organismo. É aí que se encontra a maioria das variantes associadas à diabetes tipo 2.

Partindo de estudos prévios que sugeriam que a variante associada à diabetes tipo 2 afetaria a forma de leitura do gene onde esta se encontra localizada, levando à perda de função, a equipa de investigadores do Porto desbravou terreno: “O que conseguimos provar é que o aumento do risco de desenvolver diabetes pode estar relacionado, não com a perda de função deste gene, mas sim com o aumento da atividade da sequência que regula a atividade deste mesmo gene”, explica Ana Eufrásio, primeira autora do estudo, citada num comunicado do i3S.

Utilizando o peixe-zebra como modelo animal, a equipa do i3S, liderada pelo investigador José Bessa, identificou várias sequências humanas não-codificantes capazes de controlar a atividade de genes pancreáticos.

“Nós mostramos que variantes no DNA não-codificante têm um impacto importante na sua função reguladora da atividade de genes e que, em alguns casos, não existe uma fronteira clara entre estas funções e as do DNA codificante, desvendando um pouco mais a genética da diabetes tipo 2”, assinala José Bessa.

A diabetes tipo 2, aquela que se desenvolve já na idade adulta, constitui uma das doenças mais comuns da atualidade, afetando mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se, aliás, que este número venha a triplicar até 2035. Esta patologia é parcialmente caracterizada pela disfunção de uma das duas componentes do pâncreas humano, a endócrina, que não produz insulina suficiente, e pode resultar em diversas complicações severas e, consequentemente, em morte prematura.