Ambiente

Estratégia municipal de poupança de água integra medidas complementares

A Câmara do Porto mantém, ao longo dos últimos anos, uma estratégia de otimização dos recursos hídricos. No âmbito desta política continuada, mas atendendo à situação de seca por que passa o país, às medidas já adotadas juntam-se outras complementares, com efeito imediato.

O QUE JÁ SE FAZ

A preocupação pela utilização dos recursos hídricos, cada vez mais escassos, potenciou a implementação de soluções simples, mas cujo efeito se refletiu de imediato.

Pode dar-se como exemplo a impermeabilização do espelho de água da Avenida dos Aliados, e reparação de pequenas fugas, o que permitiu uma redução para cerca de 85% do consumo; ou a reparação de fugas no sistema de distribuição do Parque da Cidade associado à implementação do Sistema IQ - Rain Bird, traduziu-se numa poupança no consumo de água na ordem dos 30%.

Ficam aqui algumas das medidas relevantes já efetivadas ou em curso:

- Desenvolvimento de projetos de captação de água para redes de rega com recurso a furos e poços, nomeadamente na Avenida dos Combatentes, Avenida Marechal Gomes da Costa, Viveiro Municipal, entre outros locais;

- Desativação parcial da alimentação de água de fontes, lagos e chafarizes ornamentais, que não possuam ainda sistemas de recirculação ou controlo de perdas;

- Substituição e colocação de contadores com telemetria nos locais destinados a rega de jardins e espaços públicos, o que permite intervir rapidamente em caso de consumo anómalo (indiciador de perda ou fuga), evitando-se a perda desnecessária de água;

- Ligação dos espaços verdes sob gestão municipal ao Sistema IQ - Rain Bird. Este sistema de rega inteligente permite, entre outras funções de monitorização e controle, gerir as necessidades de rega em função das condições climatéricas lidas por uma estação meteorológica, impedindo, por exemplo, a realização de rega aquando de ocorrência de precipitação. Estão já ligados o Parque da Cidade, Parque das Virtudes, Parque da Pasteleira, Avenida Montevideu, Jardim do Marquês, Jardim de S. Lázaro e Palácio de Cristal, prosseguindo o alargamento do sistema a outros espaços;

- Apesar de as pressões na rede de abastecimento da cidade terem já sido otimizadas para valores mínimos (aquando da implementação do projeto "Porto Gravítico"), está em curso um estudo técnico que permitirá a breve prazo, com a criação de novas sub-ZMC (zona de medição e controlo) e instalação de VRPs (válvulas redutoras de pressão) reduzir ainda mais as pressões na rede, melhorando, consequentemente, as perdas de água reais nesses pontos;

- Desde 2014, e sempre que tecnicamente possível, são instaladas torneiras de "pistão" (torneira que, salvo avaria, fecha automaticamente);

- Reabilitação das Fonte da Batalha (Praça da Batalha) e do Monumento ao Empresário (Avenida da Boavista) com sistema de recirculação (apenas é reposta a água que se evapora, que pontualmente transborda ou que, por ação do vento, é projetada para fora do circuito hidráulico);

MEDIDAS COMPLEMENTARES A IMPLEMENTAR NO IMEDIATO

- Diminuição da frequência de regas semanais, dos sistemas de rega automáticos autónomos e centralizados (em vez de regas diárias, passam a ser duas semanais, excetuando-se apenas os jardins emblemáticos);

- Utilização de mais áreas com mulching e telas anti-ervas (casca de pinheiro, gravilhas, etc.), cobrindo-se as áreas dos canteiros de forma a não ocorrerem tantas perdas de humidade no solo e aumento da temperatura do mesmo.

NOVO CONJUNTO DE MEDIDAS ESTRUTURANTES QUE COMEÇA A SER IMPLEMENTADO

Decidiu-se ainda tomar um conjunto novo de medidas cuja implementação só será possível a médio e longo prazos, mas que respondem à necessidade de adotar a cidade sempre e cada vez mais resiliente às mudanças de clima:

- Redução gradual da frequência de limpeza de lagos, em consonância com os ciclos biológicos de reprodução de organismos aquáticos, e com o recurso progressivo a fito-remediação e outras NBS (Nature Base Solutions);

- Redesenho das áreas verdes, agrupando as espécies segundo as suas necessidades hídricas (por exemplo utilizar as espécies mais exigentes em água junto aos relvados) e, sempre que possível, optar por plantas menos exigentes em necessidades hídricas, recorrendo se possível a espécies autóctones e tapizantes;

- Automatização de todas as redes de rega (ou adaptar as existentes), partindo dos princípios anteriormente apresentados;

- Generalização de temporizadores nos sistemas de torneiras e chuveiros de edifícios sob gestão municipal (balneários, instalações sanitárias públicas, equipamentos desportivos, etc.);

- Estudo de viabilidade económica de introdução de Hidrorretentores (polímeros cuja função é reter a água da chuva ou irrigação e libertá-la aos poucos, garantindo a humidade do solo) para eventual aplicação no Viveiro Municipal, rede de Hortas Municipais e/ou espaços verdes públicos;

- Revisão dos critérios para o dimensionamento de reservatórios/cisternas prediais que permitirá, para os novos edifícios (ou edifícios que sejam alvo de remodelação), a diminuição da reserva de água nos edifícios e, consequentemente, uma redução e melhor gestão da água aduzida ao sistema.