Sociedade

Estórias em desenho e vídeo da Cascata portuense

"Cascata" é o título de um projeto de paixão pelo desenho e pela cidade. Num vídeo de três minutos e meio, já a circular nas redes sociais, faz-se a crónica de pormenores que há no cenário.

O Porto quase transborda pelas margens do papel.
Insubmisso, abundante, toma as linhas da geometria e faz a sua
composição de equilíbrio: nesta "Cascata", como na vida real, o burgo
aninha-se junto ao rio para dominar a geografia. Séculos
de história erguem-se no horizonte irregular, a Torre dos Clérigos ao
centro. Depois são os detalhes; quem se perde neles encontra a cidade
inteira. Há namorados e amigos nas escadas do cais, vizinhas à varanda. O
que não se vê pressente-se - nas ruas angulosas
existe vida esperta. Sempre existiu.

Grafite, tinta-da-china e aguarela. Por esta ordem
ganhou contornos e depois cor um trabalho que, ocupando uma folha de 60
por 40 centímetros, implicou "muita preparação, muitas visitas ao
local", como nos conta o autor. A Manuel Paulo
Teixeira não importava apenas captar o património edificado, mas antes
"preencher o desenho com um enredo". As impressões de vida foram
surgindo no papel ao longo de meio ano.

Arquiteto de formação, com responsabilidades na
configuração do espaço público do Porto, sempre adotou o desenho como
"uma forma de organizar o pensamento e comunicar". É uma ferramenta de
trabalho, um hábito e um prazer a que se dedica
"todos os dias, nem que seja por meia hora. É o meu 'ginásio mental',
ajuda-me a relaxar".

Em "Cascata", conta estórias de uma
paisagem "bastante presente no nosso imaginário, muito cinematográfica,
que cunha ao nível mundial a beleza do Porto. São poucas as cidades que
permitem esta visão panorâmica de um ponto único".

O desenho resultou de um processo meticuloso e
atento sobretudo à mudança. O cenário "nunca é igual; varia muito ao
longo do ano", completa o autor, alguém que gosta dos
espaços urbanos sobretudo "pelas vivências que têm,
pelo que se passa lá".

Este não é, como se imagina, o primeiro projeto artístico de Manuel Paulo Teixeira. Em vídeo, aliás, já antes partilhara Molhe Foz Porto. No traço está quase sempre esta cidade, onde nasceu e da qual
acaba por cuidar por força da profissão: como diz,
do Porto é "filho e um pouco pai".