Proteção Civil

Ciclopatrulhas da Polícia Municipal: proximidade, visibilidade e muitos kms

Miguel Nogueira

Há vários anos que agentes da Polícia Municipal do Porto percorrem as ruas da cidade montados em bicicletas. Depois da surpresa inicial, as ciclopatrulhas já são encaradas com naturalidade por munícipes e visitantes.

Este é um trabalho de proximidade e visibilidade junto dos cidadãos, durante o qual os agentes percorrem algumas dezenas de quilómetros, movidos apenas com o esforço das próprias pernas. “A média por turno anda à volta dos 25 a 30 quilómetros percorridos”, contam os agentes António Ribeiro e Rui Silva, de 53 e 51 anos, respetivamente, os dois pioneiros das ciclopatrulhas da Polícia Municipal. “Já foi para aí há seis anos que começámos”, acrescentam.

No início eram apenas eles os dois, mas desde então a iniciativa alargou-se, e atualmente as ciclopatrulhas são asseguradas por oito agentes da Polícia Municipal, divididos em quatro equipas de dois agentes. Cumprem turnos diários das 7 às 13 horas e das 14 às 20 horas – o intervalo entre as 13 e as 14 horas foi introduzido recentemente, devido à pandemia, para evitar o cruzamento dos agentes na entrada e saída de turno.

Estas duplas em bicicleta percorrem toda a cidade do Porto, distribuídos por dois eixos: Centro Histórico e áreas pedonais, e zona marginal. Nos últimos dias começaram também o patrulhamento das ciclovias que já estão marcadas.

“A marginal é mais tranquila, embora tradicionalmente tenha maior confusão no verão”, nota António Ribeiro. Nas zonas pedonais, por outro lado, “há mais ocorrências”. “Algumas pessoas ficam admiradas quando nos veem. Mas acatam, nunca tivemos nenhuma situação mais delicada. As pessoas abordam por outras situações, para pedir informações, por exemplo”, acrescenta o agente.

Em paralelo com este trabalho de proximidade e visibilidade, as ciclopatrulhas não têm mãos a medir na fiscalização de estacionamento – a média de ocorrências por dia cifra-se em 45. Estacionamento em corredores BUS ou zonas de cargas e descargas, em segunda fila, em impedimento de trânsito e nos passeios fazem parte do quotidiano de António Ribeiro e Rui Silva: “É desagradável para quem infringe, mas alguém tem de fazer este trabalho”.

Só quando o tempo faz mesmo muito má cara é que as ciclopatrulhas não saem à rua. “Nesses dias fazemos o patrulhamento de carro. Mas quando a chuva é suportável, usamos o equipamento adequado e mantemo-nos de bicicleta”, explicam.

Apaixonados pelas bicicletas

António Ribeiro e Rui Silva não têm apenas em comum o facto de terem sido os pioneiros das ciclopatrulhas da Polícia Municipal do Porto. Partilham também o entusiasmo pela bicicleta, que usam em lazer sempre que têm tempo livre – portanto, preparação física para as ciclopatrulhas não lhes falta.

“Já fizemos Santiago-Finisterra de bicicleta e a pé. Qual custa mais? É diferente. Mas desfruta-se mais a pé”, admite Rui Silva.

Em serviço, utilizam bicicletas personalizadas, onde transportam o equipamento necessário: rádio transmissor, arma, gás pimenta, algemas, terminal de pagamento automático, e utensílios para suporte básico de vida (máscara para respiração boca-a-boca e manta térmica).

Vestem fatos próprios para pedalar, de cor azul e amarelo fluorescente, assim como capacete e luvas. Devido à situação pandémica, têm também de utilizar máscara para cobrir o nariz e boca. “A subir custa um bocadinho. Mas tem de ser”, resume António Ribeiro.

“Gosto muito do que faço. Gosto da parte de andar de bicicleta. Quando vou para Baião, a minha terra, muitas vezes a mulher vai de carro e eu de bicicleta”, acrescenta o agente. “Gosto mais do serviço na rua do que em espaços fechados”, completa Rui Silva. Poder cumprir o serviço numa bicicleta é só mais uma vantagem.