Política

Autarca do Porto alerta que "ruídos de fundo" em torno da candidatura à EMA só penalizam Portugal

O Porto tem uma candidatura "musculada" para acolher a
Agência Europeia do Medicamento, mas a decisão que for tomada pelo Governo - de
nomear esta cidade ou Lisboa à relocalização da EMA -, será
aceite. Importa agora é "acabar com ruídos de fundo" que só penalizam a
candidatura de Portugal a uma estrutura muito desejada também por outros países
europeus. Foi esta a mensagem que hoje deixou aos jornalistas o presidente da
Câmara portuense.




 


Rui Moreira tem uma certeza: o Porto levou à Comissão Nacional
de Candidatura criada para avaliar os argumentos de Lisboa e Porto - uma decisão
tomada pelo Governo, que permitiu integrar a Invicta no processo - um dossiê bem
sustentado. "Temos a InvesPorto" que, devido a outros projetos de investimento
em carteira, tinha "pronto o caderno de encargos. Não precisámos de fazer
grande trabalho", disse o autarca. A partir daqui, a Câmara nomeou duas pessoas
para a Comissão, Eurico Castro Alves, que já foi administrador da EMA, e o
vereador Ricardo Valente.


 


Feito o trabalho, expostos os "argumentos fortes", há que
aguardar pela decisão a sair, ao que tudo indica, do próximo Conselho de
Ministros, já na próxima quinta-feira. "Até lá, só poderemos esperar que seja a
melhor candidatura para Portugal. Se for o Porto, melhor. Estamos esperançados".
Mas mais importante "é que a EMA venha para Portugal".


 


Rui Moreira manifestou total confiança no trabalho de
avaliação da Comissão, formada por "pessoas muito válidas". Havendo essa
certeza, "devemos aguardar com tranquilidade uma decisão política baseada num
estudo técnico. Tenho a certeza que a Comissão fez o seu trabalho, que os
nossos representantes eram os melhores, agora é esperar".


 


Lembrando que "a Comissão propõe, o Governo decide", o
autarca reiterou que, seja qual for a cidade a candidatar, "cá estaremos para
reconhecer os méritos do trabalho que foi feito. "Respeitarei a decisão, qualquer
que ela seja".


 


De resto, até lá "qualquer ruído de fundo, e tem havido
muito, só vai fragilizar a candidatura do país. Anda aí muita gente a falar e a
fazer comentários, quase a clamar vitória para aqui ou para ali", lamentou. Da
sua parte, sublinhou, "não haverá ruído".


 


Recorde-se que, inicialmente, o Governo admitiu apenas
Lisboa na candidatura à relocalização à EMA. A decisão foi conhecida em 27 de
abril e em 2 de maio Rui Moreira enviava uma carta ao primeiro-ministro a manifestar
o interesse em candidatar também o Porto, elencando argumentos. O Executivo de
António Costa acabaria por reconsiderar a sua posição, integrando o Porto. Até ao final deste mês, têm de
ser oficialmente apresentadas as candidaturas dos Estados-membros interessados
em acolher a Agência do Medicamento.