Sociedade

Assembleia Municipal reconhece a importância de manter a Liga Portuguesa de Futebol no Porto

Miguel Nogueira

A Assembleia Municipal aprovou, nesta segunda-feira, a permuta de um terreno municipal com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). No terreno localizado em Ramalde, o investimento para a construção da nova sede ascende aos 18 milhões de euros, integralmente assumidos pela entidade. Por todos os benefícios associados a uma obra desta envergadura, os deputados municipais consideraram vantajoso manter a instituição na cidade.

Na sessão que decorreu por videoconferência, foi generalizada a ideia de que este projeto, além do investimento privado considerável, vai trazer benefícios a longo prazo para ao Porto, que fica assim posicionada entre as cidades mundiais com valências de topo para a formação do futebol profissional e com áreas dedicadas à investigação do alto rendimento desportivo.

Além do investimento de cerca de 18 milhões de euros a fazer pela Liga, estão previstos "mais 3,5 milhões de impacto na área, um projeto de arquitetura de referência, que é absolutamente inovador, um curso de gestão de futebol, investigação, formação e 200 postos de trabalho diretos", sublinhou o deputado do grupo municipal independente Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido, André Noronha, assinalando que o valor de receita de que a autarquia prescinde diretamente, cerca de 241 mil euros, é um "débito" muito reduzido face ao impacto económico que a obra trará a cidade (no total, incluindo todas as isenções de taxas urbanística, o valor de receita de que o Município prescinde ronda os 640 mil euros).

Também a população de Ramalde, em particular, está muito satisfeita, referiu o presidente daquela Junta de Freguesia, António Gouveia. "Saiu-nos o Euromilhões. O projeto é espetacular em todos os sentidos", principalmente numa altura "em que a economia está em desalinho" devido à Covid-19, referiu o autarca.

O presidente da LPFP, Pedro Proença, também já fez chegar o contentamento pela decisão. "Como disse no passado dia 12, não fazia sentido uma obra desta dimensão não ficar sediada no Porto, onde a Liga nasceu em 1978. Este é um dia de celebração para o Futebol Profissional, que vai ter uma nova sede moderna, com áreas de lazer, mas também de formação. Deixo uma palavra de apreço ao Dr. Rui Moreira, que, desde a primeira hora, teve visão e capacidade de acreditar neste projeto. Vamos avançar, agora, com a certeza de um futuro ainda mais profissional no Futebol", afirmou, citado num comunicado de imprensa.

A proposta aprovada pela Assembleia Municipal, com o voto contra da CDU e a abstenção da deputada do PAN, prevê permutar as atuais instalações da LPFP, inauguradas em 1999 na Rua da Constituição, por uma parcela de terreno de que a Câmara do Porto é proprietária, numa rua transversal à de Requesende, em Ramalde, para que a Liga ali possa construir uma nova e maior sede.

No debate sobre o tema, o deputado Rui Sá da CDU justificou que o partido votou contra, não pelo projeto apresentado, mas devido à permuta do terreno, sustentando que se a Liga Portuguesa de Futebol Profissional saísse para outra cidade, automaticamente a atual sede reverteria para o Município. Nesse sentido, disse entender que deveriam ter sido salvaguardadas mais contrapartidas para a Câmara do Porto no processo.

O PAN, que se absteve na votação, quis também realçar que reconhece "a importância de a sede da Liga estar na cidade do Porto". Contudo, também pela voz da deputada Bebiana Cunha manifestou "reservas" relativamente ao projeto e alertou para "algumas preocupações", nomeadamente a preservação dos espaços verdes circundantes. Uma apreensão que o vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, responsável pelo Pelouro da Inovação e Ambiente, liminarmente contrapôs ao explicar que tudo está a ser feito até no sentido de valorizar a estrutura ecológica existente e ainda contribuir para a despoluição da Ribeira da Granja, que corre próxima ao terreno.

Segundo o deputado do PS, Alfredo Fontinha, esta foi "uma boa decisão" da Câmara do Porto e o novo edifício será "uma mais-valia para a cidade". Opinião partilhada pelo deputado social-democrata, Francisco Carrapatoso, que salientou que este é "um investimento efetivo na cidade do Porto", tanto a nível financeiro, como de criação de emprego e promoção do Município "como uma central do futebol profissional".

Também o Bloco de Esquerda, apesar de ter deixado alertas para a "apreciação do projeto urbanístico", reconheceu ser "sensível ao argumento" da importância do projeto para a cidade, destacou o deputado Pedro Lourenço.

A construção da nova sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional está programada arrancar no próximo ano, estimando-se que a obra esteja concluída no início de 2023.