Sociedade

Abertura à diferença em debate sobre os refugiados

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"Refugiados: Refletir, Decidir, Intervir" foi o tema do
debate que a JPAB Advogados realizou na segunda-feira ao fim do dia na Casa do
Infante. O encontro contou com o apoio institucional da Câmara do Porto, uma
autarquia que "tende a discutir as ideias diferentes". O elogio partiu do
advogado e ex-ministro José Pedro Aguiar-Branco, que abriu uma sessão em que
interveio o presidente da autarquia, Rui Moreira.


O debate revelou-se tão mais pertinente por, de repente,
parecer que "já não existe o problema dos refugiados Mas ele está lá" - alertou
Aguiar-Branco, numa crítica à agenda mediática e política que fomenta esse
esquecimento. Neste contexto, advertiu que o "combate à ignorância, inimigo público das sociedades, é se calhar
a prioridade" numa democracia que se deseja "inteligente".

Salientando que a sessão foi concebida no "reconhecimento de
que não se sabe tudo" e como manifestação da "disposição para aprender", o
ex-ministro enalteceu por isso o papel da Câmara do Porto, destacando "os
últimos quatro anos de uma presidência aberta, democrática, que discute e tende
a discutir as ideias diferentes". Aguiar-Branco destacou, neste âmbito "o
contributo da cidadania das diversas instituições para a formação do pensamento",
considerando por isso "absolutamente sincera esta cooperação e este apoio
institucional que a Câmara dá a esta iniciativa".


Sobre o tema do debate, o presidente da Câmara do Porto
lembrou: "Nós, portugueses, já estivemos dos dois lados. A questão das migrações,
dos refugiados, também diz respeito à nossa História", indicando que "não temos
de recuar mais de 100 anos" para chegar a factos.


Como lembrou, durante a guerra civil de Espanha muitos
portugueses "foram combater ao lado dos republicanos". Terminado o conflito, "não
puderam voltar para Portugal. Sabiam o que lhes iria acontecer. Muitos deles
foram para França à procura da liberdade". Depois "sofreram com a invasão nazi".
Foram, inclusive, "heróis na resistência ao nazismo".


Rui Moreira aproveitou a ocasião para anunciar que "a Câmara
do Porto encomendou um estudo, que está neste momento a ser feito em Portugal e
França por José Manuel Barata Feyo, para contar essa história esquecida dos
portugueses que andaram neste refúgio permanente". Como disse, será "um livro
muito interessante; vai contar uma história da nossa História que nós não
conhecemos e os franceses também não".


Mas este não é o único episódio que chama a questão dos
refugiados e das migrações à História de portugueses e de Portugal. Noutros
períodos "uns fugiram porque não queriam ir para a guerra, outros porque não encontravam
condições de vida" no país. Houve depois o regresso de inúmeros cidadãos, "há quem diga
um milhão de portugueses", das ex-colónias.


Ou seja, "este é um problema que já se colocou connosco.
Esta é a reflexão que quero deixar. Isto obriga-nos a um muito maior sentido de
responsabilidade do que a muitos outros", atentou o autarca.


"Refugiados e
imigrantes: o que os une e o que os distingue", por Sofia Pinto Oliveira;
"Solidariedade Europeia à prova: a questão dos menores não
acompanhados", por Ana Rodrigues; "A Plataforma de Apoio aos Refugiados:
Portugal na linha da frente da mobilização da sociedade civil", por Tiago
Marques; "O Programa de recolocação - o caso Português", por Paulo
Conceição, foram os painéis integrados no debate.