Cultura

A "ideia romântica" de reabrir o Cinema Trindade valeu a pena: num ano chamou 50 mil pessoas

Miguel Nogueira

Um ano após a sua reabertura, o Cinema Trindade continua a ser o "único cinema de rua" do Porto com sessões diárias e a prova de que uma ideia "romântica" pode dar frutos: o espaço chamou cerca de 50 mil espectadores. Para celebrar, há a partir de amanhã uma programação especial.

O balanço é de Américo Santos, fundador da Nitrato Filmes e responsável pelo Cinema Trindade, que a 5 de fevereiro de 2017, após quase duas décadas de inatividade, reabriu as portas no centro do Porto, com duas salas (de 169 e 183 lugares) e quatro sessões diárias em cada, todos os dias da semana.

"Reabrir um cinema de rua parecia uma aventura, uma ideia demasiado romântica, mas tem sido surpreendente. Os portuenses agarraram a sala. Abriu no momento certo, numa altura de um grande movimento cultural e turístico na cidade", observou Américo Santos à Lusa.

Para o futuro do espaço que remonta a 1913 (foi inaugurado como Salão Jardim e incluía sala de espetáculos com cinema, salão de festas, café, bilhares e terraço), Américo Santos tem em mente "manter a dinâmica" criada por uma agenda que cruza a programação regular e "uma programação temática, mais criativa". "Esse cruzamento tem-se revelado uma mais-valia", vincou, pelo que a  intenção é "tentar manter a regularidade".

"Manter é a grande dificuldade das salas de cinema. É sempre muito perigoso cair no conformismo. Mas sentimos uma adesão muito grande dos portuenses. O Trindade não é uma sala qualquer e abriu no momento certo", observou.

Atualmente com um "funcionamento sustentável", o Trindade é uma das salas da Baixa do circuito  Tripass, o cartão criado pela Câmara do Porto em 2016 precisamente com o intuito de estimular o regresso do cinema ao centro da cidade. Refrescado com uma nova imagem há poucos dias, este cartão permite aos aderentes descontos nas sessões de cinema.

Programa especial de aniversário

Américo Santos anuncia um "programa especial", que tem "quase o perfil de festival de cinema", pensado para assinalar o primeiro aniversário do regresso do Trindade.

A festa arranca nesta segunda-feira e continua até 16 de fevereiro, dia em que passa um ano do arranque da programação regular do Trindade.

Uma antestreia diária é a promessa para estes dias de festa.

Da agenda fazem parte filmes como "Olhares Lugares", de Agnès Varda & JR (segunda-feira, 21,45 horas), "Human Flow - Refugiados", de Ai Weiwei (terça, 21,30), e "Amor Amor", de Jorge Cramez (quarta às 21,45).

Na quinta e na sexta-feira, é a vez de "Radio Dreams", de Babak Jalali, e de "The Florida Project", de Sean Baker.

"Um Monstro de Mil Cabelas", de Rodrigo Plá, é projetado no sábado, dia 10, e no domingo, dia 11, o Trindade recebe "Manifesto", de Julian Rosefeldt.

Seguem-se, sempre às 21,45 horas, "As Acácias", de Pablo Giorgelli (dia 12), "Ramiro", de Manuel Mozos (dia 13), "Love Me Not", de Alexandros Avranas (dia 14), "The Third Murder", de Hirokazu Kore-eda (dia 15), e "Downsizing - Pequena Grande Vida", de Alexander Payne (dia 16).

Da programação de aniversário fazem ainda parte um país convidado (Brasil) e "em foco" vai estar o realizador Carlos Nader, que vai ter algumas das suas obras projetadas na tela do Trindade: "Beijoqueiro: Portrait of a Serial Kisser" (dia 10 às 15 horas), "Chelpa Ferro" (dia 11, 16,20) e "Pan-Cinema Permanente" (dia 11, 20,00).

O cinema nacional marca presença com filmes como "O Dia em que as Cartas Pararam", de Claudia Clemente, no sábado, dia 10, às 16,10 horas.

Veja o programa de aniversário aqui.