Cultura

Teatro Nacional São João regressa aos palcos em agosto com 15 estreias e três produções próprias

Três produções próprias, quatro produções internacionais, 15 estreias e a participação de três diretores artísticos compõem a temporada antecipada do Teatro Nacional São João (TNSJ), que arranca a 6 de agosto.

As celebrações do centenário do Teatro São João vão prosseguir até março de 2021, com uma programação que contempla 15 estreias, três produções próprias, quatro produções internacionais e mais de duas dezenas de coproduções. A nova temporada conta ainda com um elogio aos diretores artísticos Nuno Cardoso, Nuno Carinhas e Ricardo Pais, que passaram pelo TNSJ e deixaram um contributo importante para a história e desenvolvimento do teatro na cidade do Porto e no país.

Com a comemoração dos 100 anos de existência, o Teatro Nacional São João antevia um ano atípico, mas estava longe de prever que isso seria sinónimo de ter de fechar portas, durante três meses, devido à pandemia.

Após ver a programação prevista para os espaços que gere - nomeadamente o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória - suspensa, entre os meses de março e julho, a instituição conseguiu garantir o reagendamento de todas as coproduções para esta nova temporada de 2020/2021 e ainda o acolhimento de novos espetáculos nacionais e internacionais.

Programação da próxima temporada

A começar já no próximo dia 6 de agosto, o Teatro Carlos Alberto recebe a estreia de "O Burguês Fidalgo", uma coprodução da companhia portuense Teatro da Palminha Dentada e do TNSJ, em cena até dia 23 de agosto.

Segue-se uma produção própria, "Castro", de António Ferreira, que se estreou no Teatro Aveirense, no arranque do centenário, e que fica em cena entre os dias 20 de agosto e 12 de setembro, seguindo depois para uma temporada em digressão pelo país.

Ainda no que diz respeito a produções próprias, Nuno Cardoso leva ao palco do TNSJ, entre os dias 4 e 21 de novembro, "O Balcão" de Jean Genet e, no dia 7 de março de 2021, estreia "À Espera de Godot", de Samuel Beckett, com encenação de Gábor Tompa, presidente da União dos Teatros da Europa - instituição que reúne alguns dos mais sonantes teatros europeus - do qual o TNSJ é o único representante nacional. A peça fica em cena até dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro.

Entre os 27 espetáculos reagendados, encontra-se a "Comédia de Bastidores", de Alan Ayckbourn, em cena de 1 a 11 de outubro. Esta é uma coprodução da companhia portuense ASSéDIO e TNSJ, que conta com a encenação de Nuno Carinhas, que regressa ao São João, e se junta a João Cardoso.

Ainda, entre os dias 3 e 5 de dezembro, é a vez de Ricardo Pais voltar a "casa", com a encenação da peça "talvez? Monsanto", num espetáculo que conta com a atriz Luísa Cruz e o fadista Miguel Xavier.

Outras produções e coproduções

Integrado no Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), nos dias 9 e 10 de outubro, o Teatro Carlos Alberto recebe "KAMP", uma criação de Herman Helle, Pauline Kalker e Arlène Hoornweg, que se mantém em repertório há 15 anos. O espetáculo da companhia Hotel Modern propõe uma viagem pelo quotidiano do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Nos dias 17 e 18 de dezembro sob ao palco "Bajazet, considerando o Teatro e a Peste", de Frank Castorf, histórico diretor do teatro Volksbühne, em Berlim, que propõe um teatro da palavra a partir dos textos de Jean Racine e Antonin Artaud.

Entre os dias 8 e 9 de janeiro de 2021, o TNSJ acolhe "Qui a tué mon père", uma história biográfica de um pai, com base nas turbulentas memórias de infância de um filho. O espetáculo conta com a interpretação e encenação de Stanislas Nordey, diretor do Teatro Nacional de Estrasburgo.

Com mais de 20 coproduções previstas até março de 2021, o palco do TNSJ acolhe a nova criação de Tónan Quito, uma adaptação de quatro peças de Anton Tchékhov. "A Vida Vai Engolir-vos", divide-se em duas partes apresentadas, alternadamente, nos dias 18 e 19 de setembro, no TNSJ, e nos dias 17 e 19 de setembro, no Rivoli.

A programação conta ainda com uma exposição comemorativa dos 100 anos, que contempla vários eixos temáticos - da arquitetura à história do edifício e dos seus usos, passando pela relação com a cidade e a história do país - para ver entre dezembro de 2020 e março de 2021. O encerramento da mostra coincide ainda com a publicação de um catálogo com documentos escritos, testemunhos, registos fotográficos e objetos encontrados.

Nesta nova temporada, o Teatro Nacional São João reforça ainda a aposta no projeto educativo do teatro, com espetáculos, leituras, oficinas ou ações de formação.

Com uma preocupação acrescida pela segurança e bem-estar do público, artistas e colaboradores, o TNSJ adotou um plano rigoroso de contingência.

A desinfeção rigorosa das salas e espaços comuns, através de técnicas de nebulização com recurso a solução desinfetante; a redução da capacidade das salas para 200 pessoas no TNSJ e 100 pessoas no TeCA; a criação de sinalética que permite manter o distanciamento social; a disponibilização de gel desinfetante; a desinfeção das instalações sanitárias e o uso obrigatório, para o público e toda a equipa, de máscara, são algumas das medidas adotadas.

Também os elencos de atores e intérpretes serão testados à Covid-19, antes do início do período de ensaios, e a equipa do TNSJ foi já submetida a testes serológicos.