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Voto de pesar pela morte de Agustina Bessa-Luís foi hoje aprovado por unanimidade
04-06-2019

A Câmara do Porto manifesta, pelo percurso literário, mas também pelo exemplo de cidadania e de alma portuense, o profundo pesar e a grande consternação pelo falecimento de Agustina Bessa-Luís, expressando toda a solidariedade à sua família. O voto de pesar, apresentado hoje de manhã por Rui Moreira, foi aprovado por todo o Executivo Municipal, assim como a ratificação do luto municipal de dois dias (nestas segunda e terça-feiras).


Leia o voto de pesar do presidente da Câmara do Porto na íntegra:


"A minha relação com o Porto foi um casamento por conveniência que se transformou em amor à primeira vista"


"Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa nasceu no dia 15 de outubro de 1922 em Vila Meã (Amarante - Portugal) e tornou-se uma escritora mundialmente conhecida sob o pseudónimo literário de Agustina Bessa-Luís. Autora de várias dezenas de obras, entre romances, contos, peças teatrais, livros infantis e crónicas, a escritora dedicou ainda o seu tempo a outras atividades, entre elas, diretora do Jornal Diário O Primeiro de Janeiro, no Porto, e diretora do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.


Incontestavelmente um dos grandes expoentes da literatura portuguesa e reconhecida com os mais distintos galardões, Agustina Bessa-Luís é um universo excecional sob o ponto de vista da criação e do património literário e cultural que legou aos portugueses e ao mundo.


Reveladora de uma genialidade artística, de grande inteligência e de extrema sensibilidade, bem como do domínio da língua portuguesa e do conhecimento das paixões e comportamentos humanos, a sua obra tem por cenário o norte, onde escolheu viver, convocando incessantemente a ficção para compreender o mundo. A maior parte dos romances de Agustina Bessa-Luís refletem o Porto, a Invicta, as famílias abastadas, burguesas, que podem ou até devem viver momentos de penúria, para mais tarde, se erguerem de novo. "Eu já vivi num lugar famoso do Porto, cerca da Bandeirinha e do Monte dos Judeus".


Situada pelos críticos como neo-romancista, Agustina transborda um enorme interesse pelo escritor Camilo Castelo Branco e graças ao conjunto da sua obra foi agraciada com inúmeros prémios e distinções, entre eles a Medalha de Honra da Cidade do Porto e a Ordem das Artes e das Letras da República Francesa no Grau de Oficial. Em 2004, aos 81 anos, recebeu o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa.


As obras de Agustina foram traduzidas para o alemão, espanhol, francês, grego, dinamarquês, italiano e romeno. Alguns dos seus romances chegaram ao cinema, principalmente pela mão do cineasta português Manoel de Oliveira. Entre eles os filmes "Vale de Abraão", de 1993, a partir do romance de mesmo nome, e o filme "O Convento" de 1995, a partir do romance "As Terras do Risco".


Agustina Bessa-Luís, que se afastou da produção literária por questões de saúde, em 2006, com o lançamento de seu romance "A ronda da noite", fez ainda parte de importantes instituições como a Academia de Ciências de Lisboa, a Academia Europeia de Ciências, das Artes e das Letras e da própria Academia Brasileira de Letras.


Foi um dos nomes maiores da literatura portuguesa que nos deixou um legado de brilhantismo, diversidade e dinamismo na sua uma vasta obra, para além de uma marca indelével como cidadã exemplar.


No seu "Dicionário Imperfeito", Agustina Bessa-Luís diz do Porto: "Cidade de encontros, mas prudente no descobrimento dos outros. Cidade acerada de paixão que se contradiz no pequeno júbilo da sua mediania. O carácter dela ainda ninguém o revelou.


Agustina deixa-nos o Porto, nos seus livros, nas suas histórias, para que o possamos (re)descobrir a cada página voltada.


A Câmara Municipal do Porto manifesta, pelo percurso literário, mas também pelo exemplo de cidadania e de alma portuense, o profundo pesar e a grande consternação pelo falecimento de Agustina Bessa-Luís, expressando toda a sua solidariedade à sua Família.


Com a expressão da justa homenagem que a Cidade do Porto lhe deve, entendi declarar luto municipal nos dias 3 e 4 de junho de 2019, sujeito a ratificação da Câmara Municipal."