Este website usa cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Aceitar
o portal de notícias do Porto.

Destaques

Técnicos e utilizadores celebram a importância dos arquivos para a memória e os direitos dos cidadãos
09-06-2018

O valor dos arquivos na preservação e acesso à memória herdada e para a construção da memória futura foram recordados no seminário "O Arquivo e a Cidade: a gestão de informação como ferramenta de apoio ao Poder Local", que ontem reuniu dezenas de técnicos e utilizadores habituais na Casa do Infante, assinalando o Dia Internacional dos Arquivos que hoje se celebra.


"É o valor intrínseco dos arquivos que garante os direitos dos cidadãos, garante a transparência da atuação pública e garante a democracia e a preservação da memória individual e coletiva", defendeu a diretora do Departamento Municipal de Cultura, Sofia Alves, na abertura do evento promovido pelo Arquivo Municipal do Porto.


Recorrendo ao título do primeiro painel ("Arquivos das Autarquias Locais: servir a gregos sem esquecer os troianos"), Sofia Alves explicou que "o Arquivo Municipal serve efetivamente «a gregos e a troianos», na medida em que detém informação que atesta a legitimação de direitos do poder local, e está igualmente também em condições de poder confirmar a legitimidade de direitos e garantias dos cidadãos". Daí a conclusão de que "o poder local só consegue exercer cabalmente as suas competências de gestão, administrativas e políticas, fazendo uso do ativo informacional que o Arquivo Municipal constitui e assegura".


Nesse sentido, Sofia Alves destacou ainda entre os objetivos do seminário o de relembrar que o Arquivo Municipal do Porto (e todos os Arquivos em geral) tem "um papel fundamental na promoção do acesso à cultura e ao conhecimento, à cidadania e à democracia, para além da sua missão específica: promover a organização, o acesso e a difusão da informação produzida ou recebida pelo Município".


Transmitido em direto através do canal oficial da Câmara do Porto no youtube (onde pode ainda ser visto na íntegra), o seminário foi também ocasião para a troca de perspetivas sobre a realidade dos arquivos, desde as mais tradicionais às mais modernas, bem como para a partilha de histórias sobre a paixão pelos arquivos e o arquivismo. "É viciante", confessou mesmo o moderador da sessão, Manuel Luís Real, historiador, bibliotecário-arquivista, antigo diretor do Departamento de Arquivos da Câmara do Porto e autor de obra publicada sobre estas temáticas.


Por seu lado, a advogada Olga Maia, que ocupou também aquele cargo e coordenou o projeto SimplexAutárquico no Município do Porto, sendo atualmente a diretora do Departamento Municipal do Gabinete do Munícipe, deixou a visão de um cliente interno da Câmara sobre o papel do arquivo ao longo do tempo.


Já o arquiteto Domingos Tavares, professor emérito da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, deu a perspetiva de um cliente externo, estabeleceu a relação com o Arquivo Histórico e falou sobre o processo de investigação, partilhando episódios da sua carreira.


O seminário contou ainda com a participação da historiadora Cristiana Freitas, especialista em ciências documentais, ciência da informação, comunicação e novos média. Cristiana Freitas, que é também a coordenadora do Arquivo Municipal de Ponte de Lima e do Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde, voltou a focar as atenções na importância do arquivo municipal enquanto fornecedor de serviços, direitos e garantias, assim como na sua dualidade relativamente à função administrativa versus função cultural. Deu ainda a conhecer a realidade dos arquivos municipais portugueses no que se refere ao contributo para a promoção da competitividade das respetivas autarquias, tendo por base o resultado dos inquéritos levados a cabo pela BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas) em 2014 e 2016, bem como a caracterização nacional da disponibilização de catálogos com objetos digitais associados.


Instituído em 2007, o Dia Internacional de Arquivos evoca a criação do Conselho Internacional de Arquivos (CIA) pela UNESCO, que aconteceu a 9 de junho de 1948.