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Teatro Municipal (c/vídeo): Rui Moreira reafirma confiança na direção artística e vereadores concordam que o assunto deve ficar sanado
10-02-2020

O presidente da Câmara do Porto reafirmou hoje "total confiança" naquilo que o diretor do Teatro Municipal do Porto (TMP), Tiago Guedes, e a sua equipa, têm feito ao longo dos últimos seis anos. O projeto, diz Rui Moreira, ergueu-se "livre de peias e de intervenções do poder político" e, por isso, só espera que o recente episódio não abale "a forma como o teatro se tem encontrado com a cidade". Os vereadores da Oposição partilharam da opinião do autarca, referindo que o texto em causa devia ter sido publicado, e não se esquivaram a elogiar a gestão do equipamento municipal. Veja o vídeo na íntegra com as intervenções de Rui Moreira e dos vereadores.




De um lado e do outro, a moral da história foi a mesma: que o caso sirva de lição e que não se volte a repetir. Em causa, a acusação de censura que Regina Guimarães dirigiu a Tiago Guedes na semana passada, depois de o diretor artístico ter decidido pela não-distribuição da folha de sala do espetáculo "Turismo", que subiu ao palco do Teatro do Campo Alegre, nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro, com encenação de Tiago Correia. Essa folha de sala incluía uma nota de rodapé em que Regina Guimarães criticava o antigo vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, falecido em 2015, pela forma como empregava o conceito de "cidade líquida".

Depois do encontro privado que decorreu entre Tiago Guedes e o Executivo Municipal antes da reunião de Câmara desta segunda-feira, Rui Moreira aproveitou o período antes da ordem do dia para publicamente dizer o que entendia sobre o caso.

Destacando que a direção artística foi escolhida há seis anos "por concurso", até porque era condição sinéquanone que "estivesse livre de peias e de intervenções do poder político", o presidente da Câmara do Porto avaliou que a isenção na programação "por parte do Executivo tem sido permanente". Aliás, reforçou Rui Moreira, essa é uma "posição consensual", perfilhada por todas as forças políticas, ainda que aquilo que se passa no TMP possa muitas vezes não ser de acordo com "o gosto particular ou até mesmo com as nossas opções políticas", reconhece.

Por isso, continuou o autarca, os últimos dias preocuparam-no "apenas porque a cidade tem vivido uma situação idílica com o seu teatro; não gosto muito desses idílios, mas gostava que continuasse a ter esse papel na cidade", sublinhou.

Há duas semanas, recordou o presidente da Câmara, "fui confrontado com esta situação" pela equipa do Teatro Municipal do Porto (estava Tiago Guedes fora do país), que dizia que a folha de sala "levantar algum incómodo". No dia seguinte, em reunião do Pelouro da Cultura que dirige, Rui Moreira transmitiu que "pese embora compreendesse as sensibilidades e as lealdades, entendia que o texto em apreço devia ser publicado na sua íntegra", afirmou. "Fiz isto na consciência de que essa decisão também ela seria hoje criticada, se porventura tivesse sido seguida. Não tenho dúvidas de que se essa folha de sala tivesse sido publicada, haveria hoje quem provavelmente dissesse que nós não estávamos a ser fiéis à memória do Paulo Cunha e Silva", assinalou.

Ainda assim, o presidente da Câmara disse estar convicto de que o bom senso prevaleceria, "porque público da cidade do Porto é suficientemente adulto para fazer ele próprio o seu juízo" e reiterou hoje que a folha de sala "devia ter sido publicada".

Para Rui Moreira, este foi um caso "em que vários sentimentos estiveram em confronto. Provavelmente na sala ninguém era tão amigo do Paulo Cunha e Silva como eu era". Mas agora é tempo de seguir em frente: "é um assunto deve ficar resolvido e sanado, na certeza de que a liberdade de expressão deve ser preservada", declarou.

Sobre outras questões que têm vindo a público, o autarca assinalou que "o Teatro Municipal tem um programa e tem alguém responsável pelas escolhas que são feitas. O presidente da Câmara e os senhores vereadores nunca se imiscuíram nas escolhas que são feitas. Julgo que temos o Teatro mais plural que podemos ter. Muitas vezes, vai mesmo aos limites da nossa tolerância, para alguns de nós. Algumas vezes tenho lido críticas - até por parte de alguns deputados municipais - que acham que esta peça ou aquela aflora quase os limites; já ouvi dizer uma vez da 'decência', por causa do título de uma peça. A verdade é que temos dado essa liberdade", elucidou Rui Moreira, concordando que se deve aprender e refletir sobre o que se passou.

Mas também pensa que "não se deve deixar que alguém tome a nuvem por Juno ou que alguém pense que se pode apropriar do teatro ou que o teatro passa a ser uma casa, um albergue para tudo aquilo que as pessoas querem", concluiu.

Oposição de acordo em encerrar o assunto

O vereador do PS Manuel Pizarro começou por elogiar a agenda "tolerante, inclusiva, plural e participada" do TMP e afirmou que o Partido Socialista tem visto com agrado a forma como este equipamento cultural tem sido gerido. Não obstante, considerou que o texto de Regina Guimarães deveria ter sido publicado, embora enfatizasse que não se revia em nada do que o texto exprimia.

O vereador salientou ainda que não se pode confundir uma má decisão, até de "natureza censória", com o contexto geral do trabalho desenvolvido nos últimos anos pelo Teatro Municipal do Porto.

Da parte do PSD, Álvaro Almeida aflorou interpretação idêntica. Embora não se revendo nas palavras de Regina Guimarães, considerou que a mesma devia ter tido a liberdade de expressar a sua opinião. Aliás, disse, "há muita coisa que não gosto que aparece no Teatro Rivoli, mas é uma questão de gosto. Mas tem de haver liberdade de programação e, por isso, também acho que a opinião de Regina Guimarães, que não é a minha, devia ter sido publicada", sustentou.

Já a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, disse que a decisão de não publicar a folha de sala foi um erro que espera que sirva de ensinamento para que situações como esta não se voltem a repetir em nenhuma estrutura municipal.