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Destaques

Rui Moreira quer uma real descentralização política
07-03-2018

O presidente da Câmara do Porto disse ontem ao Jornal 2 da RTP2 que "gostaria que houvesse regiões políticas". Na conversa conduzida pelo jornalista João Fernando Ramos falou-se não só do processo de descentralização, mas também da forma como a cidade do Porto tem casado duas palavras que, à partida, podem soar incompatíveis: património e inovação.

 

De acordo com Rui Moreira, que falava ontem em direto para o Jornal 2 a partir da Torre dos Clérigos, no processo de descentralização "o principal é procurar ganhar competências que não sejam delegadas, mas sim conquistadas". Portanto, considera, que "não pode ser [a descentralização] apenas administrativa, também tem de ser política".


Sobre a condução do dossier por parte do Governo, o autarca entende que foi dado um "bom passo" ao envolver, verdadeiramente, as câmaras neste debate. Até porque, observa, "as pessoas muitas vezes esquecem-se que os municípios são órgãos democraticamente eleitos e fazem parte do Estado, têm essa legitimidade democrática que os aproxima dos cidadãos".


Embora tenha afirmado que é como São Tomé - "ver para crer" - Rui Moreira não deixou de identificar, desta vez, uma conjuntura favorável a todo o processo: o envolvimento dos autarcas que resulta de "um grande consenso que no passado não existia"; o empenho das duas Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa; e o clima de colaboração com o Governo. Além disso, referiu, "temos uma vantagem: António Costa foi autarca e percebe melhor porque viveu na pele os efeitos da não descentralização", porque até "Lisboa é vítima [da não descentralização]".


Finalmente sobre o assunto, Rui Moreira observou que o país vive "uma atmosfera de mudança e de otimismo que pode ser aproveitado". Em larga medida, devido "a uma situação conjuntural externa fantástica", aliado aos bons indicadores que a economia interna tem alcançado, graças ao aumento do turismo e das exportações. Por isso, entende que este é o momento certo para avançar com uma verdadeira descentralização. "Não é quando estamos a afundar numa crise que podemos pensar em reformas desta natureza", afirmou.




"O Porto é uma cidade cosmopolita"


Lançando um olhar sobre o património da cidade e as suas tradições, com um tempo que também é de inovação (assim pedia o tema da emissão especial inserida nas comemorações do Ano Europeu do Património Cultural), Rui Moreira concluiu que "a história e o património são perfeitamente compatíveis com a modernidade e o futuro".


É este o segredo de uma cidade que, "fruto do mérito da sua universidade", foi recentemente distinguida como aquela que, em toda a Europa, é a mais amiga das startups. Uma cidade onde, tal como a etimologia do nome indica, "sempre aportaram pessoas e sempre saíram pessoas". Uma cidade, também, que tem na sua toponímia diversos nomes estrangeiros.


Neste contexto, deixou o autarca uma mensagem: "não devemos ter uma visão complexada das cidades". Até, porque, acredita, "se soubermos manter o seu espírito e a sua alma, compreendermos a sua história e tradições, não devemos ter receio de abrir as portas e ser cosmopolitas". Segundo ele, grande parte do Porto foi construído assim, abrindo portas e absorvendo tendências. "Ser cosmopolita é isso mesmo", concluiu.


Primeiro-ministro inaugura hoje instalações da Natixis no Porto


O primeiro-ministro, António Costa, também participou na emissão especial do Jornal 2. Turismo, descentralização e atração de investimento externo para o país foram os tema-chave da conversa. Hoje mesmo, o primeiro-ministro inaugura no Porto as instalações da financeira francesa Natixis, que traz "mais 300 postos de trabalho" para a cidade.


Na abertura do jornal foi ainda objeto de análise a marca Porto. criada em 2014 por Eduardo Aires. Um case-study internacional no domínio do branding e do marketing, que já recebeu inúmeros prémios e distinções. Uma marca que corporiza aquilo que é a cidade e que veio revolucionar o seu posicionamento no mundo, dando-lhe força e notoriedade.