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"Rui Moreira não está sozinho nesta aspiração do Norte em receber a Agência Europeia do Medicamento"
08-06-2017

O presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM), António Araújo, considerou hoje, em declarações à Agência Lusa, "incompreensível" a decisão do Governo de candidatar Lisboa a receber a Agência Europeia do Medicamento (EMA), solicitando a divulgação do relatório que sustenta esta decisão.


"Neste momento, os argumentos apresentados não são de todo convincentes, nós gostávamos de ter acesso ao relatório que dizem que foi elaborado e que conclui que Lisboa seria o local ideal para receber a agência, de forma a podermos contestar, com conhecimento de causa, as suas conclusões", afirmou António Araújo, presidente da SRNOM.


A decisão de candidatar Portugal a receber esta agência, atualmente instalada no Reino Unido, foi tomada a 27 de abril, pelo Conselho de Ministros, segundo uma resolução publicada em Diário da República no passado dia 5 de junho.


A mesma resolução cria a "Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência Europeia do Medicamento na cidade de Lisboa" na qual participam várias entidades, entre as quais a Câmara Municipal de Lisboa.


Em declarações à Lusa o presidente da SRNOM considerou que "esta decisão é incompreensível porque o Norte tem o principal Health Cluster do país, tem duas das mais importantes faculdades de medicina, tem as principais indústrias farmacêuticas de referência a nível nacional, tem os principais centros de investigação clínica e tem instalações. Lisboa já tem duas agências europeias".


"Temos todas as condições para que o Norte possa ser escolhido para receber a Agência Europeia do Medicamento. Nós achamos que é um fator importantíssimo de desenvolvimento para a região e é incompreensível esta tomada de posição do Governo", frisou.


A decisão do Governo já hoje foi contestada pela Câmara do Porto que, em comunicado, pediu também a divulgação pública dos estudos que serviram de base à decisão de apenas candidatar Lisboa como localização para instalação em Portugal da Agência Europeia do Medicamento (EMA).


Nas declarações que prestou à Lusa, António Araújo disse que a SRNOM está a organizar um encontro para discutir esta questão da localização da EMA para o qual foram convidado, além do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, os responsáveis do Health Cluster, os diretores das faculdades de medicina e os presidentes dos conselhos de administração das indústrias farmacêuticas, do Norte, entre outras personalidade.


A data do encontro ainda não foi decidida, mas "será ainda este mês", disse António Araújo, que é também diretor do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar do Porto e Professor Auxiliar Convidado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto.


"Rui Moreira não está sozinho nesta aspiração do Norte em receber a Agência Europeia do Medicamento", afirmou António Araújo, considerando que as posições do autarca nesta matéria "fazem sentido, porque a decisão é incompreensível e porque não se conhecem, em concreto, as premissas desse relatório que levam à conclusão de que Lisboa seria o local ideal para receber a agência".


Ontem, em declarações à RTP, Rui Moreira já tinha dito que não entendia as explicações dadas em Diário da República e hoje, em comunicado, a Câmara do Porto pediu que fossem divulgados os estudos a que se referiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros. A 2 de maio, Rui Moreira escreveu ao Primeiro-Ministro, pedindo que o Porto fosse considerado. Nunca recebeu resposta.