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Destaques

Rui Moreira explicou à oposição a política de mobilidade da cidade
03-01-2018
A Mobilidade foi tema único na agenda de trabalhos da reunião de Executivo extraordinária convocada para esta tarde pelo presidente da Câmara do Porto a pedido do PSD. No centro do debate, a política de mobilidade do Município que, no decurso deste ano, conhecerá novas medidas, como o reforço das medidas protetoras destinadas ao estacionamento para moradores, a regulação dos transportes turísticos ocasionais e a criação de metro-BUS.

Na reunião extraordinária de Câmara que decorreu esta quarta-feira, dedicada em exclusivo à política de mobilidade da cidade, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, começou por fazer uma apresentação detalhada do trabalho que a autarquia já executou neste domínio. Entre as medidas executadas nos últimos anos, o autarca assinalou a regulação, pioneira no país, dos transportes turísticos; a concessão do estacionamento à superfície, com base nas zonas e preços anteriormente definidos, com a tomada de decisão de redução das avenças para moradores; a implementação de novas regras no que diz respeito às avenças nos parques de estacionamento para moradores, e o ajuste das avenças destinadas aos comerciantes; ou, ainda, a internalização da gestão do Silo-Auto, continuou Rui Moreira.

Mas não só. Entre outras medidas, saliente-se o avanço para a construção para o Terminal de Campanhã, pondo fim a um impasse que se prolongava desde 2003; a criação do sistema metro 24 horas (Move Porto), em parceria com a Metro do Porto; a abertura dos corredores BUS a motos (uma medida também pioneira no país); o rebaixamento de centenas de passeios, que veio possibilitar uma deslocação mais facilitada dos cidadãos com mobilidade reduzida; a sinalização LED em pontos críticos; a municipalização da STCP; ou um projeto de grande envergadura como a criação do Centro de Gestão Integrada (CGI), unidade única a nível nacional que, desde 2015, reúne no mesmo espaço, operacionais da Proteção Civil, Polícia Municipal, PSP, Batalhão dos Sapadores Bombeiros e gestores de tráfego da Câmara do Porto.

PROJETOS DE MOBILIDADE EM CURSO INCLUEM METRO-BUS EM TRÊS ZONAS

Em fase final do concurso, encontra-se um novo sistema de gestão de mobilidade, que inclui a modernização da rede semafórica, dos acessos controlados, bem como a priorização ao transporte público. Como explicou Rui Moreira, "trata-se de um investimento total de cerca de 10 milhões de euros em cinco anos".

Estão também em preparação novos concursos para a construção de novos parques de estacionamento na cidade. Para breve, prevê-se a construção de ligações pedonais mecanizadas entre a cota alta e a cota baixa da zona de Miragaia. E, em fase de estudo, avançou o presidente da Câmara do Porto, estão a ser analisadas, em conjunto com Vila Nova de Gaia, "possíveis travessias pedonais, rodoviárias e Metro".

Foi lançada, ainda, uma empreitada para a criação de uma rede de corredores BUS de alta qualidade (Metro-BUS) na Avenida Fernão Magalhães, e serão lançados brevemente novos corredores para a Constituição e Damião de Góis.

NOVAS REGRAS DE ESTACIONAMENTO AVANÇAM EM BREVE

Numa lógica de melhoria contínua, foram igualmente revelados os principais planos do Município para mitigar as condições de mobilidade, num cenário de crescimento do fluxo de gente na cidade e, consequente, aumento de tráfego.

Para os moradores, assinalam-se novas regras de estacionamento que lhes são favoráveis. Em primeiro lugar, vão ser criadas bolsas de estacionamento em zonas residenciais sujeitas a grande pressão. É também novidade a redução do horário em duas horas diárias (o período de estacionamento pago passará a ser contabilizado entre as 9 e as 19 horas), facilitando os movimentos pendulares. E, concluindo a tríade de melhorias dirigidas aos moradores, vai proceder-se à redução da avença de estacionamento anual para o segundo veículo (de 100 euros para 25 euros, à semelhança do primeiro veículo).

A política de mobilidade hoje apresentada por Rui Moreira pressupõe ainda "a isenção total de custo do estacionamento para cidadãos portadores de deficiência". Haverá "eliminação progressiva e sistemática dos lugares de estacionamento privativos, libertando espaço para estacionamento de moradores e de rotação", disse o autarca, explicando que se mantém, nestes casos, a política de discriminação positiva, relativamente aos cidadãos com mobilidade condicionada, farmácias, instituições públicas e de solidariedade social. E, por fim, redefinição de todo o zonamento da cidade.

ESPECIALISTA EM MOBILIDADE METROPOLITANA APRESENTA DIAGNÓSTICO

A intervenção de Rui Moreira foi antecedida por uma apresentação de António Babo, especialista em mobilidade metropolitana. Para o professor da Universidade do Porto, há, inequivocamente, novos desafios que se impõem à cidade e à própria Área Metropolitana, consequência do crescimento do fluxo de cidadãos que entra e sai do Porto diariamente.

A propósito, um dos aspetos abordados pelo especialista foi a saturação de trânsito em nós específicos da VCI. Recorde-se que, sobre esta matéria, Rui Moreira tem defendido, quer publicamente quer no âmbito do trabalho desenvolvido pela Área Metropolitana, a abolição de portagens na CREP, uma vez que considera que a maior fonte do problema da escalada do trânsito na cidade deriva, precisamente, da VCI.

"Apostar na reformatação da rede urbana de autocarros" foi outra das propostas apresentadas pelo especialista, que considera que a solução para o problema de trânsito que aflige a cidade passa pela otimização da rede de transportes públicos existente, numa lógica integrada entre STCP, Metro do Porto e CP.