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Rui Moreira diz que TAP quer condenar o Porto a novo confinamento
26-05-2020

Vários autarcas da Região Norte, incluindo o presidente da Câmara do Porto, falam a uma só voz sobre a TAP. Numa altura em que o Estado prepara uma injeção de vários dísticos na companhia de bandeira portuguesa, que é metade pública e metade privada, e depois de ontem se ter sabido que no plano de retoma dos voos trata o Aeroporto do Porto como mero apeadeiro, Rui Moreira lamenta a "triste realidade" e acusa a operadora de "tentar impor um confinamento ao Porto e ao Norte". O autarca reclama ainda uma definição urgente sobre o posicionamento da TAP na esfera privada ou pública, e avança que entrando dinheiro público para salvar a companhia, o "Governo tem de exigir que a TAP retome a mesma percentagem de voos entre Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores".


"Não tentemos por um momento ocultar a realidade. A realidade é simples: A TAP está a tentar impor um confinamento ao Porto e ao Norte", declarou esta manhã Rui Moreira em conferência de imprensa realizada na Câmara Municipal da Maia, com o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, e o presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins.

Relembrando que há quatro anos escreveu com Nuno Santos, seu Chefe de Gabinete, o livro "TAP Caixa Negra", numa altura "em que a TAP dizia que não reforçava os voos [para o Porto] porque não havia mercado", o presidente da Câmara do Porto disse que esse período coincidiu com a aposta de outras companhias áreas estrangeiras, como foi o caso da United Airlines que criou a rota para Nova Iorque, o reforço da Turkish Airlines ou a entrada da Emirates, no ano passado.

Então, de uma "forma oportunista", e num momento em que o Aeroporto do Porto crescia, "a TAP voltou", acusou.



Para Rui Moreira, o problema não é, por isso, de hoje. Aliás, na sua visão é uma questão de fundo, estrutural. "Na senda daquilo que tem sido a sua história, a TAP nunca perdeu o vínculo de ser uma empresa de caracter colonial e a sua estrutura nunca pensou de outra maneira".

"Agora, numa altura em que o país mais precisa a TAP abandona o país. Porque estar só em Lisboa representar abandonar o país. Abandona Faro, Funchal, os Açores e o Norte", acrescentou.

A ajuda para a pandemia não pode esconder os problemas estruturais da TAP

Continuando, o presidente da Câmara do Porto disse que "tudo seria mais ou menos aceitável se a TAP fosse um operador privado. Mas sucede que a TAP não é carne nem peixe. É uma empresa privada quando tem de tomar decisões e é uma empresa pública quando quer que os portugueses paguem os seus vícios, criados na operação ruinosa no Brasil que levou a TAP à situação atual", acusou.

Nessa medida, Rui Moreira questiona o Governo: "Vamos entrar na TAP, todos os portugueses, para quê? A ajuda de Estado não é para resolver o problema da pandemia, mas para resolver os problemas".

"Ou é uma empresa privada que não serve o país, ou é uma empresa participada pelo Governo que tem que ser tomada com um ativo estratégico nacional. Se querem uma companhia de caráter regional, incorporem a TAP na Carris. Não façam de nós tolos", declarou o autarca.

Na conferência de imprensa, o presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins, deu exemplos da planeada queda brutal das operações da TAP a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que em junho não terá ainda nenhum voo internacional. Mesmo no mês de julho o cenário não será muito diferente e rotas como as de Milão e de Roma continuarão distantes dos céus do Porto, representando "os voos internacionais 2,2%" de uma equação que com as ligações aéreas em solo nacional chega a uns modestos 11%.

"Esta atitude da TAP é inadmissível. É uma humilhação para a Região Norte e país", sublinhou o dirigente.

Também o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, anfitrião da conferência de imprensa, assinalou que "se a TAP reduzir operação as parcas três linhas anunciadas perde o seu epíteto nacional", deixando de servir a coesão económica e territorial.

De Vila Real, Rui Santos instou o Governo "a não ceder um milímetro na defesa dos interesses do país", lembrando que o Aeroporto de Francisco Sá Carneiro é uma porta de entrada para toda a Região Norte, da Galiza e do Douro. E mesmo a Região Centro entra nestas contas, acrescentou Luís Pedro Martins.

Quando ouviu o anúncio dos planos de retoma da TAP, o presidente da Câmara de Viana do Castelo ficou "chocado". José Maria Costa lamenta a perda de "sentido da unidade nacional" e, em particular para a Região Norte, a "capacidade de competitividade e a capacidade de estarmos ligados ao mundo".

Ainda que não estivessem presentes na reunião, os presidentes de Câmara de Matosinhos, Braga, Famalicão e Caminha, segundo Luís Pedro Martins, estão em "total sintonia" com esta tomada de posição.

Rui Moreira destacou ainda o contributo da Região Norte para a produtividade do país. "Esta região foi a que mais contribuiu para o crescimento da produtividade nacional onde as empresas continuaram a trabalhar".

"Se o Governo entender apoiar a TAP, deve exigir que a TAP retome a mesma percentagem entre Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores", defendeu.

"A TAP não pode ser tratada como uma entidade diferente. O Porto, Trás os Montes, o Douro e o Minho, e a parte norte da Região Centro, também fazem parte de Portugal", concluiu Rui Moreira.