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Rui Moreira afirma que estratégia de construção da CREP custou 300 milhões e falhou devido às portagens
05-03-2017

Não é a primeira vez que o presidente da Câmara do Porto alerta para a distorção, mas agora explicou-o num artigo publicado num jornal diário onde escreve todas as semanas. Rui Moreira quer que a CREP - Circular Regional Exterior do Porto deixe de ser portajada, para aliviar a VCI, onde o trânsito de passagem continua a aumentar e a criar problema ambientais e de circulação, não apenas no Porto mais nos concelhos limítrofes.


No texto, intitulado "Remar contra a maré", Rui Moreira revela alguns número, chamando a atenção para o facto de "alguns nós da Via de Cintura Interna (VCI), no Porto, registam um tráfego superior a 250 mil veículos por dia, calculando-se que perto de 200 mil que ali circulam não se destinam à cidade do Porto. Estes dados fazem daquela via a que tem maior densidade de trânsito em todo o país".


Para o autarca, "os efeitos destes números colocam ao Porto vários desafios. Desde logo, desafios ambientais, dada a pressão de emissões poluentes e de ruído que representam. Mas também de mobilidade, uma vez que as demoras provocadas pelos constrangimentos de trânsito na VCI contaminam toda a cidade. Ainda esta semana, um acidente com um pesado que simplesmente atravessava a cidade provocou consequências no Porto, em Vila Nova de Gaia e em Matosinhos.", escreve.


Rui Moreira explica que o problema, identificado há pelo menos duas décadas, levou à construção da chamada Circular Regional Exterior do Porto (CREP), que supostamente deveria absorver muito do trânsito de passagem em direção ao Norte e a Este, sem que precisasse entrar na VCI. Mas, para o presidente da autarquia portuense, essa estratégia, "que custou mais de 300 milhões de euros ao erário público, falhou catastroficamente, quando ficou decidido portajar a CREP, condenando--a a ser um enorme deserto de asfalto. Livre de portagem, a VCI continuará a acumular o trânsito de passagem de ligeiros, que alimentam uma região suburbana em expansão e uma cidade do Porto cada vez mais vibrante e atraente, mas também os pesados que se dirigem a Norte e servem o Porto de mar e o aeroporto".


O QUE A CÂMARA ESTÁ A FAZER PARA MINIMIZAR PROBLEMA


No artigo, explica também o que a Câmara está a fazer para mitigar o problema. "O Porto e a Infraestruturas de Portugal estão a fazer um esforço de plantação de bosques junto dos nós da VCI para mitigar a enorme pegada ecológica. O estado e as autarquias, entre as quais a do Porto, preparam-se para investir no transporte público, através da construção de mais quilómetros de Metro e através da aquisição de uma nova frota da STCP mais ecológica. São medidas inteligentes e que permitirão melhorar o ambiente e a mobilidade. Mas serão pouco mais do que inglórias se a VCI continuar a servir como principal eixo rodoviário de passagem do Norte".


Finalmente, Rui Moreira diz que estas medidas não são, contudo, suficientes desafiando o Estado a fazer mudanças: "Se a lógica de cobrança de portagem na CREP não se inverter, será difícil melhorar de forma decisiva o ambiente e a mobilidade no Porto e na Área Metropolitana. Essa decisão, que só pode ser tomada pelo Estado, pode implicar complexas negociações, mas caso não venha a ser tomada, as autarquias implicadas continuarão a sentir que pouco mais poderão fazer do que remar contra a maré".