Este website usa cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Aceitar
o portal de notícias do Porto.

Destaques

Revolução digital no mercado de trabalho vai também causar impacto na mobilidade da cidade
19-09-2019
Foi esta a principal ideia expressa na intervenção do presidente da Câmara do Porto, durante a sessão de abertura do Congresso Mundial do Trabalho - "Labour 2030", a decorrer na Alfândega entre hoje e sexta-feira. Rui Moreira antevê que a aceleração tecnológica no mundo laboral produza sobretudo efeitos ao nível da mobilidade nas cidades.

Num futuro não muito distante, "as deslocações casa-trabalho serão menores", diz o autarca, suportado na convicção de que a tecnologia facilitará o trabalho "a partir de casa" ou, noutra perspetiva, implicará deslocações mais curtas, porque também as novas gerações entendem como fator preponderante para a sua qualidade de vida morar na cidade, próximas dos seus empregos.

"Como é que a 'colmeia' se vai comportar? Interessa-me saber, porque as 'abelhas' [cidadãos] funcionam num sistema de sair e de voltar. Isso vai deixar de acontecer", prevê o presidente da Câmara do Porto.

Rui Moreira, que falava com Pedro Duarte, vice-presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal e presidente do Conselho Estratégico para Economia Digital da CIP, e com António Costa, jornalista do económico online ECO, moderador da conversa, partilhou também não ter dúvidas de que a quarta revolução industrial vai desafiar o setor público a tomar decisões sobre os "empregos artificiais", desadequados à realidade.

Num tempo então de fortíssima aceleração tecnológica, o fator diferenciador para o sucesso das organizações residirá, fundamentalmente, no fator humano, introduziu Pedro Duarte, também quadro da Microsoft. De acordo com o social-democrata - que seguia a ideia do presidente da Câmara do Porto de que se deve evitar "uma concentração excessiva das engenharias", promovendo o justo equilíbrio "entre a cultura e as artes" - se forem introduzidas mudanças no mercado do trabalho, acompanhadas da formação adequada, "o saldo será positivo".

O presidente do Conselho Estratégico para Economia Digital sustentava-se num estudo promovido pela CIP, com a Universidade Nova e McKinsey, que indica que "num cenário conservador, em 2030, 67% dos trabalhos serão automatizados". Dentro desta franja, "26% serão totalmente automatizados". E, apesar do impacto que se prevê com mais de 1 milhão de empregos a serem considerados "obsoletos", há motivos para otimismo, uma vez que a nova vaga de digitalização da economia possibilitará gerar entre 700 mil a 1,1 milhão de novos postos de trabalho.

Embora a História demonstre que a humanidade nunca está preparada "para perceber as transformações", mas que - perante elas - avança e evolui, Rui Moreira exemplificou que do futuro fazem parte pessoas como Pedro Duarte, que pode perfeitamente chegar "a Primeiro-Ministro".

Mas, nesta equação, o presidente da Câmara do Porto - "autarca-modelo" a nível nacional e europeu, trocou o elogio o vice-presidente da CIP - considera que a Academia não pode pôr-se de fora. Se é certo que hoje o investimento estrangeiro na cidade se deve ao "talento" e "às condições que a cidade oferece", é fundamental que as universidades se adequem à mudança.

"A Academia tem de estar sempre de porta aberta, para que a qualquer altura possamos lá ir buscar as skills [competências] de que precisamos", concluiu Rui Moreira.

O Congresso Mundial do Trabalho é organizado pela Law Academy. Reúne mais de 500 participantes, de cinco continentes e, durante dois dias vai avaliar o impacto das alterações ocorridas no mercado do trabalho e, por consequência, no direito laboral face à revolução digital e robótica. O programa integra ainda três salas onde decorrerão as apresentações/workshops em sessões paralelas, o Showroom Lab (espaço de exposição) e o Speed Meeting (exclusivamente dedicado ao networking).