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Rei dos Belgas diz que a chave da cidade do Porto é passaporte para o sucesso
24-10-2018

A visita dos Reis dos Belgas ao Porto está a fortalecer uma já profunda ligação histórica, recordada por Rui Moreira e pelo Rei Philippe, mas também a evidenciar uma sedução que reflete o interesse do soberano em ter-se feito acompanhar por uma comitiva de empresários e académicos belgas. Se o presidente da Câmara evidencia as recentes mudanças na cidade e o que esta tem de melhor, o soberano belga não poupa elogios e declara-se maravilhado com uma cidade que conjuga tradição e modernidade e se apresenta "tão próspera e inspiradora".


O mote foi deixado pelo presidente da Câmara na receção oficial aos reis Philippe e Mathilde, durante a manhã nos Paços do Concelho, ao afirmar que, como o casal real já tinha estado no Porto anteriormente, a visita de hoje "é uma oportunidade para constatar o desenvolvimento que a cidade conheceu nos últimos anos".


Assim,  perante uma delegação que integrava vários ministros, académicos e empresários belgas, Rui Moreira frisou que o Porto "conseguiu superar a crise" e "está agora no caminho certo para o crescimento das suas indústrias criativas, com a captação de investimento estrangeiro, o rebranding operado na cidade, os eventos culturais que aqui se realizam e que são fatores-chave na criação de experiências positivas para cidadãos nacionais e estrangeiros, numa atmosfera urbana realmente agradável e atrativa".


O autarca apontou ainda que a estratégia tem permitido valorizar economicamente as zonas urbanas por toda a cidade, não se limitando ao centro ou a uma determinada localização para os investimentos, e exemplificou com a Porto Design Biennale que considera ser o paradigma do investimento municipal em termos económicos e culturais.


Salientando os laços entre o Porto e a Bélgica, que a geminação com a cidade de Liège veio aprofundar a partir de 1977, Rui Moreira enfatizou vários aspetos comuns assentes no "compromisso político com valores como a liberdade e a fraternidade, mas também na vontade de estimular um ambiente sustentável ao desenvolvimento de novas técnicas de cooperação, troca de experiências e reflexão conjunta sobre o futuro".


Nesse espírito, afirmou que "na nossa cidade, declaramos a cultura como o mais importante instrumento de desenvolvimento social", aproveitando para recordar a bisavó do atual Chefe de Estado belga, Elisabeth da Bavaria, que foi Rainha Consorte dos Belgas e era filha da Infanta Dona Maria Josefa de Portugal, sendo no presente ainda uma referência na Bélgica pelo empenho na ciência e na cultura. Aliás, tem o seu nome a mais importante competição musical daquele país - "The Queen Elisabeth Competition" - e tal "herança comum dá-nos muito orgulho".


Mas, como lembrou Rui Moreira, as ligações históricas vêm já da Idade Média, nomeadamente em termos comerciais, referindo-se a provas históricas existentes na Sé do Porto que ilustram as trocas entre a Invicta e a cidade belga de Antuérpia. Daí, o presidente da Câmara avançou para a alusão ao trânsito aéreo de cidadãos entre o Porto e a Bélgica, tanto no domínio dos negócios como no do lazer e também do estudantil. A propósito, declarou esperar "sinceramente que as novas gerações continuem a construir o sonho europeu, sem fronteiras e reconhecendo a importância da diversidade cultural que compõe este continente".


Se Rui Moreira terminou com a oferta simbólica da Chave da Cidade ao Rei Philippe, este não se limitou a agradecer e afirmou que a mesma "no decorrer da História, tem comprovado ser um verdadeiro passaporte para o sucesso". Elogiando o Porto pela "cidade florescente e dinâmica que é hoje", o soberano belga falou da fundação da Portus Cale e apontou a reputação de cidade Invicta como algo que "fala por si".




Rei dos Belgas desde há cinco anos, Philippe mostrou conhecer bem a realidade portuense e afirmou categoricamente que "a cidade do Porto consegue combinar de forma brilhante o melhor do antigo e do novo". Exemplificou mesmo com a sua agenda para o dia, da qual fez parte a visita à Fundação de Serralves ("que foi transformada de uma residência familiar do século XIX num centro de excelência para o pensamento e as artes contemporâneas"), o Palácio da Bolsa (onde uma reunião de trabalho juntou "pessoas de negócios, que representam tradições antigas e sagradas da produção vinícola e da agricultura, bem como empresas contemporâneas ativas em novos setores como o comércio eletrónico, energias renováveis e software") ou ainda, durante a tarde, a visita ao UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, onde o soberano belga constataria como os seus criadores construíram "uma fundação sólida para as maravilhas tecnológicas desenvolvidas aqui hoje").


Philippe da Bélgica concluiu que a sua visita ao Porto foi "inspirada pelo desejo de ficarmos a saber como todas estas pessoas, jovens e menos jovens, que representam tradições antigas ou tecnologias de ponta, atingiram os resultados que tornam a região Norte uma região tão próspera e inspiradora", declarando estar o casal real "ansioso por ouvir as suas histórias".


Algumas delas seriam então escutadas na Fundação de Serralves, onde Philippe e Mathilde visitaram uma exposição de artistas belgas, o Museu e os Jardins, antes de seguirem para o almoço de honra que o presidente da Câmara ofereceu, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, já com a presença do Presidente da República.


Após a refeição, houve lugar a uma breve visita à Igreja de São Francisco e a um curto passeio pela Ribeira antes da partida para o polo universitário da Asprela. Aí a comitiva real belga visitou o UPTEC, onde participou no seminário "Ciências do Mar para uma Economia Azul Sustentável", e ainda o I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, onde contribuiu para analisar as "Perspetivas sobre os ecossistemas das start-up digitais em Portugal e na Bélgica", após o que deu por finda a visita de Estado ao Porto e a Portugal, seguindo para o aeroporto e regressando a Bruxelas.