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Destaques

Rastreio da autarquia a lares do Porto já testou 3111 pessoas e 15 já foram transferidas para o centro municipal instalado na Pousada da Juventude
12-04-2020
Até agora 29 pessoas, na sua maioria funcionários, já testaram positivo para COVID-19 no rastreio realizado em 54 lares da cidade do Porto, uma iniciativa da autarquia que conta com a colaboração do Hospital de São João e dos Agrupamentos de Centros de Saúde. Os 5.000 testes PCR que estão a ser usados foram doados pela Fundação Fosun e pela Gestifute e o programa já implicou a deslocalização preventiva de 15 idosos para um dos locais definidos e preparados pela autarquia para servir de retaguarda (5 deles esta manhã, como documentam as imagens).

O programa municipal, lançado no final de março, engloba todos os lares e residências coletivas públicas ou privadas do concelho do Porto e é único a nível nacional. Carateriza-se por testar toda a população idosa institucionalizada na cidade, incluindo também todos os funcionários e cuidadores. Ao teste positivo de um deles, é promovida a sua segregação, com a orientação da autoridade de saúde local. 

Dos 3111 testados em 54 lares, existem já resultados laboratoriais para 2620 utentes e funcionários de 45 lares. 28 desses testes foram inconclusivos e serão repetidos e 29 testaram positivo, sendo 20 funcionários e apenas 9 idosos. 15 idosos com teste negativo foram entretanto transferidos para a Pousada da Juventude, onde a Câmara do Porto montou um centro de acolhimento que assegura, no máximo conforto, segurança e com acompanhamento de enfermagem, os utentes cujos lares deixaram de ter capacidade para os acolher, por terem sido detetados casos entre a sua população e por daí ter resultado incapacidade funcional da estrutura.

Destes, 5 foram transferidos esta manhã e os outros 10 encontram-se já a morar na pousada há vários dias. O programa promove a separação da população que entra na Pousada, por forma a segregar os vários grupos e evitar eventuais contágios caso existam falsos negativos.

A maioria dos casos positivos situa-se na zona ocidental da cidade, onde já foram testadas 30 estruturas, num total aproximado de dois mil utentes, enquanto na zona oriental estão já testados 24 lares e mais de 1100 pessoas. O rastreio deve ficar completo esta semana e está a ser aproveitado pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (Oriental e Ocidental) para promover formação aos lares, no sentido de lhes conferir conhecimentos para confinar ao máximo os seus utentes, protegendo-os da pandemia.

Contudo, os resultados demonstram que a maioria dos lares do Porto estavam bem estruturados e tinham tomado medidas de contingência e confinamento adequadas, o que tem deixado os promotores do programa muito satisfeitos.

Os números não incluem intervenções pontuais que tinham já sido promovidas em lares da cidade, onde, antes do início do programa de rastreio já se tinham registado casos positivos, alguns já devidamente encaminhados para tratamento hospitalar e internamento.

Este programa, único a nível nacional, e sem grande paralelo a nível internacional, cumpre as recomendações da Organização Mundial de Saúde e segue as práticas de maior sucesso no Oriente e numa localidade de Itália, com grande sucesso. Trata-se de cumprir, entre a população mais fragilizada e onde se registam taxas de letalidade mais altas, a ideia de "testar, separar, tratar e cuidar". Implica não apenas a disponibilidade de um grande número de kits, que neste caso foram disponibilizados pela autarquia, mas também o trabalho rápido de laboratórios de referência, que neste caso se centra no do Hospital de São João, mas também o esgotante e heróico trabalho dos técnicos dos Centros de Saúde, no delicado processo de recolha das amostras. Por fim, implica a montagem de estruturas de retaguarda especializadas, que a autarquia pôde montar graças à mobilização do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, à disponibilização da Pousada da Juventude por parte da Movijovem, do Seminário de Vilar, por parte da Diocese do Porto, e da preparação e gestão destes espaços por parte da SAOM, uma IPSS contratada pela Câmara para dar assistência de retaguarda aos idosos que necessitem ser deslocalizados.

Esta estrutura de retaguarda que foi montada pelo Município do Porto e o processo de rastreio sistemático a todos os lares do Porto permitiu evitar situações de indefinição e falta de soluções e articulação quando são encontrados casos de COVID-19 em contexto de lares.

NÚMEROS TOTAIS DO PORTO DISPONIBILIZADOS AO MUNICÍPIO PELA ARS

Ontem, depois de o presidente da Câmara Municipal do Porto ter pedido à Administração Regional de Saúde do Norte os números desagregados do Município, aquela entidade reportou após algumas horas os dados estatísticos, importantes para que a autarquia possa cumprir eficazmente com os vários despachos e a legislação que lhe recomendam e impõem competências no contexto da atual crise pandémica.

O Hospital de Campanha Porto., montado pela autarquia com o apoio da cedência de camas por parte do Exército Português, que servirá de retaguarda aos hospitais públicos, está entretanto pronto e deverá receber os primeiros doentes nos próximos dias.

Prontos a funcionar estão, entretanto, os 10 primeiros ventiladores entregues pela Câmara do Porto aos Hospitais de Santo António e São João do Porto.