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Ramal da Alfândega pode ser ecopista enquanto os portuenses debatem o seu futuro definitivo
18-06-2020

A Linha do Ramal da Alfândega está desativada desde 1989 e a Câmara do Porto quer recuperar este percurso. Enquanto estão a ser estudadas duas soluções para a sua utilização definitiva, num processo que a autarquia vai colocar à discussão pública, o Executivo Municipal avalia já na reunião privada da próxima segunda-feira, dia 22, a abertura deste canal à fruição da população, com a criação de uma ecopista.


O Município do Porto pretende resgatar do abandono a que foi votada nas últimas décadas a Linha do Ramal da Alfândega, que liga Campanhã à Alfândega, através da antiga ferrovia existente na encosta do Rio Douro. Neste momento, está a estudar duas soluções para o aproveitamento deste canal, um ativo com enorme potencial para a mobilidade e coesão territorial, conforme foi já publicamente anunciado.

O primeiro projeto, explica a proposta do vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, "consiste na criação de um novo percurso pedonal e ciclável, aproveitando os troços em túnel e a céu aberto, bem como na requalificação ambiental e paisagística da sua envolvente, nomeadamente através da criação de um parque urbano em socalcos, em toda a área adjacente ao canal ferroviário". Este projeto prevê, ainda, o reforço da relação entre a cota baixa, junto ao rio, e a cota alta, da cidade consolidada, estando previstas diversas ligações, algumas das quais a dotar de meios mecânicos.

A segunda hipótese que está a ser estudada consiste na utilização do Ramal da Alfândega para "uma ligação rápida entre Campanhã e a Alfândega, através de um transporte pendular, confortável e elétrico, operado por veículos modernos que prestarão um serviço de mobilidade inédito entre estes dois polos de elevada atração urbana, tendo como principal objetivo a redução do número de veículos motorizados que entram diariamente na cidade, e permitindo ao mesmo tempo a reconversão de parte do parque de estacionamento da Alfândega numa zona de fruição e lazer".

Estes dois projetos encontram-se em preparação para serem alvo de um debate alargado às forças políticas e à cidade.

Mas enquanto essa discussão decorre e se decide a utilização definitiva a ser dada a este trajeto, o Município pretende desenvolver "uma solução simplificada que permite, desde já, a abertura deste percurso à fruição da população, iniciando a recuperação do canal com custos de implementação reduzidos, garantindo a curto prazo a funcionalidade e a segurança da sua utilização como ecopista dedicada aos modos suaves de mobilidade, de cariz turístico e de lazer".

O vereador Pedro Baganha esclarece que a execução dessa ecopista não compromete a opção definitiva de aproveitamento do Ramal que se vier a adotar. Antes pelo contrário, pois permitirá ao mesmo tempo que a população use este percurso, "conheça este território e dessa forma participe de forma mais informada na discussão pública que se promoverá", justifica o responsável.

Considerando que o Ramal da Alfândega permanece no domínio público ferroviário sob gestão da IP Património - Administração e Gestão Imobiliária, a proposta que o Executivo Municipal irá votar diz respeito à celebração de um contrato entre o Município e a IP. Só depois deste passo, será possível à autarquia iniciar as referidas obras de beneficiação do canal, a curto prazo.

Esta linha ferroviária foi muito importante para a cidade durante o final do séc. XIX e início do séc. XX, pois por ali passava todo o tipo de mercadorias, chegadas por via marítima à Alfândega e transportadas de comboio para resto do país a partir da Estação de Campanhã.

No decorrer da segunda metade do século XX, o ramal foi perdendo lentamente a sua importância comercial, na sequência da transferência da atividade portuária para o Porto de Leixões, acabando por ser desativado no final dos anos 80.