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Projeto incubado no UPTEC pretende reaproveitar desperdícios da construção
01-02-2018
Chama-se Repositório de Materiais e pretende ajudar a reutilizar materiais provenientes da construção e de obras de demolição, alguns do séculos XIX e XX. O projeto foi desenvolvido no Porto e encontra-se incubado no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade Porto (UPTEC).

Segundo a arquiteta Cláudia Cardoso, coordenadora do projeto, em declarações à Lusa, o Repositório de Materiais consiste numa plataforma que procura reunir e centralizar as relações entre as várias entidades que possuem esses materiais e quem os procura.

O projeto surge como uma resposta ao desperdício produzido, através de uma plataforma para a salvaguarda e valorização de materiais e componentes que sobram da construção ou provenientes de obras de demolição e reabilitação e que tenham potencial de reutilização.

A plataforma pretende promover a dinamização e a criação de novos locais dedicados ao depósito de materiais, mediante um mapeamento 'online' de armazéns, criando assim uma rede de repositórios, da qual podem fazer parte municípios e empresas de construção e demolição.

Estão disponíveis materiais provenientes de encerramento de vãos (portas, portadas, janelas e bandeiras de madeira maciça), de estruturais e acabamento (materiais pétreos e claraboias), e ferragens e acessórios (gradeamentos, balaústres, fechaduras, dobradiças, maçanetas, aldrabas, puxadores e torneiras).

Equipamentos como bancadas de pedra e sanitários, revestimento exterior e impermeabilização (azulejos, soletas de ardósia, telhas e vidro), bem como revestimento interior (soalho e mosaicos) e elementos decorativos, são outros exemplos.

Segundo a coordenadora, as vantagens do aproveitamento destes materiais são várias. Para além de contribuir para evitar desperdícios na construção e a formação de aterros, reduz o gasto energético na transformação e na produção de novos materiais e permite uma poupança de recursos naturais e de energia no processamento e reciclagem.

"Alguns materiais do século XIX e início do século XX, então associadas a mais-valias económicas e patrimoniais e ao facto de serem materiais que se encontram estabilizados, com eficácia provada pelo uso passado, permitindo, assim, reduzir futuras ações de manutenção", referiu Cláudia Cardoso.

A plataforma encontra-se direcionada para arquitetos, decoradores, designers de interiores, empresas de construção, demolição e municípios. Os armazéns parceiros estão localizados na zona norte de país e em Lisboa, contudo, a equipa pretende alargar o serviço para todo o território nacional.