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Projeto europeu quer pôr tecnologias ao serviço das pessoas mais velhas
02-10-2017

Sem substituir o contacto interpessoal, computadores, telemóveis e outras tecnologias podem ser solução para alguns dos problemas que afetam as pessoas mais velhas e os seus cuidadores. Investigadores de um dos principais centros de investigação do Porto, o Cintesis - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, integram uma equipa europeia no desenvolvimento do ActiveAdvice.


Financiado em 1,3 milhões de euros, o projeto pretende disponibilizar uma plataforma europeia onde as pessoas mais velhas e os seus familiares ou outros cuidadores poderão encontrar produtos e serviços especialmente desenhados para responder às suas necessidades e obterem aconselhamento acerca das soluções mais adequadas à situação em que vivem.


A equipa de investigação do Cintesis, coordenada por Constança Paúl, defende que as "tecnologias podem ter um propósito preventivo (ajudando, por exemplo, a evitar quedas) ou de compensação e assistência em casos de perda de funcionalidade (por exemplo, software para reabilitação física ou cognitiva)".


"Sabemos que a maioria das pessoas mais velhas prefere permanecer na sua casa, na sua comunidade - desde que seja capaz de manter um nível desejado de autonomia e de bem-estar", explicou Constança Paúl, que acredita que "o uso dos dispositivos de comunicação e as tecnologias podem contribuir em larga medida para aumentar o bem-estar dos idosos".


O ActiveAdvice não é responsável pelo desenvolvimento de soluções para os problemas e limitações que afetam os mais idosos, pois elas já existem e são comercializadas na União Europeia. "O que falta é que essas soluções sejam do conhecimento público e passem a ser usadas pelo grupo da população que precisa delas e pode beneficiar com o seu uso", esclarece Constança Paúl, também professora no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).


Embora a utilização das tecnologias seja menor entre pessoas mais velhas, "dados Europeus de 2016 demonstram que 57% das pessoas com idades entre os 55 e os 74 anos utilizavam a Internet pelo menos uma vez por semana, o que representa um aumento significativo face a 2004, ano em que apenas 7% das pessoas deste grupo etário utilizavam a Internet", explica Soraia Teles, também investigadora do CINTESIS envolvida no projeto.


Em Portugal, o Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias de 2016 (INE) reporta uma taxa de utilização da Internet de 47% para a faixa etária dos 55 aos 64 anos e de 28% para a faixa etária dos 65 aos 74 anos. Atividades como consultar notícias ou pesquisar por informação relacionada com a saúde são as mais desempenhadas online por este grupo etário. Falta agora que esse potencial seja usado para responder de forma mais eficiente aos problemas específicos da população mais idosa. De ressalvar que, de acordo com os Censos de 2011, a população idosa portuguesa aumentou 19% na última década.


As informações para idosos e cuidadores do projeto ActiveAdvice estão em fase de desenvolvimento, encontrando-se, neste momento, disponíveis em inglês. Em breve, estarão acessíveis mais conteúdos, em diferentes línguas europeias, incluindo o português.