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Projeto da Liga Portugal para a nova sede no Porto prevê investimento privado de 18 milhões de euros
12-10-2020

O Executivo Municipal aprovou esta manhã o contrato-programa de desenvolvimento desportivo com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e validou ainda a submissão à Assembleia Municipal da autorização para permuta do terreno, que permitirá à LPFP construir a sua nova sede em Ramalde, e assim permanecer na cidade do Porto. O projeto foi apresentado na reunião pelo presidente da Liga Portugal, Pedro Proença, e corresponde a um investimento de 18 milhões de euros assumidos pela instituição. Além de uma obra "icónica" do ponto de vista arquitetónico, a batizada Arena Liga Portugal disporá de um conjunto de valências de excelência, entre as quais um centro de formação e investigação.


Pedro Proença revelou durante a apresentação do projeto que o mesmo vinha "a ser pensado e negociado há três anos e meio" com o Município, mas que tendo em conta que "muitos outros municípios manifestaram interesse" em acolher a sede, dada a delicadeza do tema, pediu ao presidente da Câmara do Porto reserva sobre o assunto.

Para o dirigente, a escolha de manter a sede da Liga Portugal na cidade parecia óbvia. "Não fazia qualquer sentido que um projeto desta dimensão não ficasse sediado no Porto, casa do Futebol Profissional desde o ano de 1978. Nesse sentido, é importante deixar uma palavra de agradecimento ao Presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. Rui Moreira, que desde a primeira hora percebeu a importância de manter a Liga no Porto", salientou.

O presidente do organismo que tutela o Futebol Profissional realçou ainda que este será um projeto de "investimento privado, de dimensão nacional, com o Município do Porto a tornar-se no primeiro a acolher a primeira licenciatura, a nível mundial, de Organização e Gestão no Futebol Profissional" e que, "resultado de uma cooperação com a LaLiga, será expectável que venha a receber diversos alunos estrangeiros".

Rui Moreira sublinhou, na reunião, "a importância vital em manter a sede da Liga Portugal no Município do Porto", relembrando que em 1978, ano de fundação do organismo, "a cidade do Porto decidiu oferecer um terreno à Liga, uma vez que havia a necessidade de a cidade possuir uma grande estrutura desportiva". E confirmou que a negociação já estava a ser tratada há efetivamente muito tempo, "sendo que o facto de nada transparecer é demonstrativo da qualidade das pessoas com quem estamos a negociar", assinalou.

O início das obras está previsto para junho de 2021, naquele que será o primeiro Centro de Empresas de Desenvolvimento do Futebol Profissional. O edifício será composto por sete andares e responderá a todas as necessidades do Futebol Profissional, contando com um auditório com capacidade para mais de 400 pessoas, o primeiro museu das competições profissionais - onde estarão representadas as 34 marcas que significam o Futebol Profissional em Portugal - e, ainda, uma zona de Futebol ITECH, onde poderão ser realizados os mais variados testes de performance aos desportivas, recorrendo a tecnologias avançadas.

Este ambicioso projeto "será autossustentável", sublinhou Pedro Proença, uma vez que o edifício será pago através da receção de eventos nacionais e internacionais, com a conclusão das obras prevista para janeiro de 2023.

Na apresentação do projeto, assinado pelo gabinete de arquitetura OODA (o único gabinete do Porto que se apresentou a concurso entre dez candidatos, coautores com Kengo Kuma do projeto de reconversão do Matadouro), Pedro Proença destacou ainda alguns números relativamente à instituição que representa. Em Portugal, "o futebol profissional representa 0,3% do PIB [Produto Interno Bruto]", gerando mais de 800 milhões de euros por ano. "A Liga paga anualmente 150 milhões de euros de impostos e emprega mais de 60 pessoas nos quadros, números que deverão duplicar com a construção do novo edifício sede e das novas valências", além de que "80% do tecido empresarial do futebol reside na Região Norte", acrescentou.

Para este "alfacinha de gema" é portanto indiscutível a continuidade da Liga Portugal no Porto, e prometeu, com este investimento, "colocar a cidade na centralidade do futebol profissional a nível nacional". Quanto ao projeto, "não ficará atrás de uma Casa da Música", assegurou.

A atual sede, localizada na Rua da Constituição, tem portas abertas desde 1999 e, apesar de "digna", está hoje completamente "desadequada às necessidades", observou o presidente da Liga Portugal. Em troca pela entrega do imóvel à Câmara do Porto, a autarquia cederá uma parcela de terreno de que é proprietária, com mais de 7.000 metros quadrados localizada na Rua de John Whitehead, em Ramalde, para a construção da nova sede do organismo.

Os valores dos imóveis a permutar foram homologados por despacho do vereador do Urbanismo, resultando da permuta um saldo a favor do Município no montante de 241 mil euros, que se constituirá em apoio a atribuir pela autarquia à LPFP.

O espaço projetado permitirá ainda, entre outros, a realização de eventos de elevada notoriedade para o Porto, "com uma fun zone com capacidade para mais de 1.000 pessoas, uma autêntica Praça do Futebol", assinalou Pedro Proença. O edifício terá ainda as características adequadas para a realização de sorteios, galas de fim de época ou cimeiras, promovendo e posicionando a cidade ao nível nacional e internacional.

Entre as valências, está ainda pensada a harmonização com a envolvente, com ligação ao futuro Parque da Ribeira da Granja, e a criação de um parque de estacionamento subterrâneo. O projeto será ainda executado em três fases distintas, dando-se prioridade à construção do edifício sede.

A proposta foi votada favoravelmente pelos vereadores independentes, PSD e por três dos vereadores do PS, sendo que se abstiveram na votação a vereadora do PS, Odete Patrício, e a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo.

Rui Moreira sublinhou ainda que a manutenção de um ativo tão importante para a cidade, contraria outras decisões que são tomadas a desfavor do Porto, como a questão da sede do Infarmed. "Todas as instituições públicas, de alguma maneira, não cumprem o que prometeram e não ficam no Porto. Aqui temos uma oportunidade manter a Liga Portugal na cidade, porque é óbvio que este investimento privado tem interesse e impacto público", referiu o autarca, considerando que, não estando a construção desta obra dependente das regras da contratação pública, o cumprimento dos prazos pré-estabelecidos poderá não derrapar. A execução do projeto trará ainda um significativo retorno ao nível da criação de emprego e de novos postos de trabalho, concluiu.