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Presidente da Junta diz que população quer mais polícia nas ruas e convida partidos a irem até aos bairros
01-10-2019
A presidente da União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, Sofia Maia, levou "a voz da população" ao debate na Assembleia Municipal sobre o consumo e tráfico de droga na cidade. Para a autarca, "grupos de intervenção social temos muitos e são fantásticos", além de que estudos sobre a matéria "não faltam". Mas o que as pessoas exigem é mais segurança nas ruas e por isso desafiou as forças políticas a irem aos bairros municipais ouvir de viva voz o que passa. "Onde é que andaram?", perguntou.

Sofia Maia descrevia o que ouve da população todos os dias. "Não querem saber de números, querem mais polícia nas ruas". E mesmo que seja essa uma competência do Estado Central, responsável por assegurar os meios necessários para que a Polícia de Segurança Pública (PSP) possa atuar, "é à Câmara e às Juntas que as pessoas reclamam" a reposição da ordem e normalidade, assinala.

"Podem ter a certeza de que amanhã estão não só na minha junta, mas em todas as juntas, a perguntar o que fizemos para terem sossego e andarem nas ruas em paz", garantiu a presidente da União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos durante a sessão potestativa marcada pelo grupo municipal Rui Moreira, Porto o Nosso Partido, na noite desta segunda-feira.

Sobre a precipitação do realojamento das 89 famílias que ainda viviam no Bairro do Aleixo, reforçou, como já havia dito Rui Moreira, que se tratou de uma questão de segurança e lembrou a derrocada ocorrida em agosto de 2018. "Sabem o que poderíamos estar aqui a discutir se não tivesse sido feito nada? Iriam acusar a Câmara Municipal do Porto de ignorar os relatórios de proteção civil, depois de ter caído uma fachada que tinha matado meia dúzia de pessoas", afirmou Sofia Maia, visivelmente incomodada.

Elencando o rol de diligências e de reuniões que, por sua iniciativa, promoveu com a PSP e até com o secretário de Estado da Administração Interna, perguntou aos partidos por "onde é que andaram?", lamentando que se percam anos a refletir sobre o tema. A conclusão que retira de todos esses encontros é a mesma: "não há operacionais".



Por isso, apelou aos partidos com representação na Assembleia da República que exijam mais meios para a PSP e deixou um agradecimento a todos os que na cidade têm contribuído para serenar a população, desde as assistentes sociais da Junta, passando pela vasta rede social do Porto, Domus Social, Polícia Municipal, estendendo ainda o seu reconhecimento ao vereador da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, e ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Algo que, para o deputado da CDU Artur Ribeiro, seria desnecessário. "Quando alguém faz bem, é o seu dever. Se a Domus fez bem, fez muito bem em fazer, mas não é preciso agradecer", contrapôs.

Referindo-se ao debate, o deputado Raúl Almeida, eleito pelo grupo Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido, disse que " foi bom que se traçasse uma linha", destacando que o processo de diálogo e de troca de ideias "permite fazer caminho".

No entanto, observa, "há quem insista em ficar do outro lado", quando se trata de agir. Supondo que é claro para todos que "a droga é má e que os traficantes são criminosos" e ainda que "as crianças e adolescentes não devem ter sinais dos atores políticos que os induzam a relativizar o consumo de droga", não entende por que se perde tempo com grupos de trabalho e estudos.

"Não quero viver numa sociedade em que o pai sai de manhã para trabalhar e levar o filho à escola, telefone para uma esquadra de polícia e lhe digam: registamos, mas estamos aqui a meio de uma abordagem holística deste profundo e complexo problema biopsicossocial", ironizou.