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Destaques

Porto volta a marcar agenda global das alterações climáticas com nova cimeira em março de 2019
06-07-2018
A Climate Change Leadership Porto Summit, que hoje trouxe ao Porto Barack Obama e outras personalidades mundiais do debate das alterações climáticas, terá continuidade em março de 2019, com novo encontro internacional na cidade. A confirmação foi dada ao final desta tarde em conferência de imprensa que juntou no Teatro Rivoli os vários parceiros da cimeira. 

O presidente da Câmara do Porto começou por se congratular com a normalidade com que decorreu a primeira grande conferência que deu início ao Porto Protocol (Protocolo do Porto), salientando a contribuição de todos os envolvidos e a compreensão dos portuenses para situações excecionais que mexem com o quotidiano da cidade. Como mensagem principal ficou a certeza de que "este evento não acaba hoje".

"O Porto Protocol é uma aposta muito importante da cidade, que pretende ser palco daquilo que é um tema da maior importância para o mundo e para todos nós", que envolve a economia, as empresas, a qualidade de vida e o ambiente, no contexto alargado da sustentabilidade, "uma das prioridades deste Executivo", salientou Rui Moreira. Nesta atmosfera de cooperação, o autarca lembrou que a cimeira e o lançamento do Porto Protocol resultam de "uma iniciativa conjunta da Câmara do Porto, da ACP e da Taylor's".

Igualmente satisfeito com o modo como decorreu o encontro, Adrien Bridge, CEO da empresa que detém as marcas Taylor's, Fonseca, Croft e Krohn, responsável também pela The Fladgate Partnership, realçou que esta "iniciativa importante vai fazer o seu trabalho para ganhar mais aderentes para o próximo evento que terá lugar em 2019". Esta foi a ideia sugerida logo na primeira parte da cimeira, de manhã, com os vários oradores a indicarem a importância de se gerar um movimento amplamente participado, onde todos são convocados a agir.

Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, destacou também a pertinência do trabalho em rede e agradeceu, neste contexto, a "forma tão rápida" como a Câmara do Porto entendeu "a importância deste evento para a cidade".



Obama, presidente das causas certas

O "homem que fez mais do que apenas oferecer inspiração na defesa desta causa das alterações climáticas", o ex-presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama, encerrou o debate no Coliseu Porto Ageas. O também Nobel da Paz partilhou a sua visão de que o tema das alterações climáticas transcende fronteiras e que pode ser apenas superado quando "cidadãos de diferentes países compreenderem a impossibilidade de resolver estes assuntos trabalhando de forma isolada. Temos de trabalhar em conjunto", declarou perante uma plateia atenta.

Barack Obama relembrou que, enquanto presidente dos EUA, o seu maior compromisso foi com a abordagem ao problemas das alterações climáticas e que não confiou apenas no governo para tratar desta questão. Tal como nessa época, é urgente sensibilizar o setor privado para contribuir para o lançamento de uma economia verde e alcançar consenso sobre as políticas certas para ultrapassar obstáculos.

Segundo o ex-presidente norte-americano, a resolução deste problema passa por empoderar a população mais jovem para que possam fazer parte dos decisores, "pois esta geração tem maior consciência do valor da tolerância, da convivência com pessoas de diferentes países e diferentes culturas. "São eles quem tem de liderar", conclui Obama.

Apesar de lamentar que o seu sucessor não se reveja nas suas políticas ambientais, Barack Obama afirmou ter "a certeza" de que os EUA vão voltar ao Acordo de Paris. Disse ainda contar que "cada vez mais países vão assumir metas arrojadas no futuro".

Entre as presenças internacionais nesta cimeira esteve também o Nobel da Paz Mohan Munasinghe, que se mostrou feliz por ver responsáveis das empresas e da indústria envolvidos nesta problemática. Marcou a oportunidade da cimeira do Porto ao deixar o seguinte reparo: "Tudo o que se colocou no Acordo de Paris e na Conferência do Rio já estava no papel há mais de 70 anos, sendo que até hoje pouco ou nada se fez". Como disse, agora urge agir.