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Destaques

Soluções "verdes" estão a recriar a paisagem urbana
26-02-2018
São vários os projetos que o Município do Porto está a desenvolver para chamar a natureza à cidade. Expandir as coberturas verdes e Florestas Nativas, com árvores e arbustos autóctones em espaços públicos e privados, potenciar a rede de hortas urbanas ou desentubar cursos de água, trazendo-os de novo à superfície, são exemplos de intervenções em curso.

A cobertura da estação de metro Trindade e o Jardim Clérigos são dois exemplos bem-sucedidos do projeto "5.º Alçado" que está a ser desenvolvido na cidade do Porto. O principal objetivo consiste em definir quais os modelos que a Câmara do Porto deve seguir para incluir infraestruturas verdes, em particular telhados verdes, no planeamento urbano, ambiental e na estratégia de espaços verdes da cidade.

Este foi um dos exemplos referidos por Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto e responsável pelos pelouros do Ambiente e Inovação, nas IX Jornadas de Arquitetura Paisagista da Universidade do Porto (AP.UP) que decorreram na Faculdade de Ciências daquela universidade.
Subordinadas ao tema "Paisagem e Inovação - A natureza na base das soluções", as jornadas pretenderam refletir sobre um dos tópicos que está na atualidade da agenda política europeia e nacional - Nature-Based Solutions (NBS) - e visam o desenvolvimento de ações inspiradas e suportadas pela natureza, que simultaneamente oferecem benefícios ambientais, sociais e económicos.

Filipe Araújo caracterizou a ação da Câmara do Porto em torno deste tipo de soluções já existentes e em expansão na cidade, focando alguns exemplos concretos, como o projeto "5.º Alçado", cujo trabalho já resultou na inventariação de mais de 130 coberturas, que totalizam uma área de 11 hectares.

A expansão das Florestas Nativas, através do FUN-Porto, foi outro dos exemplos apresentados. O projeto tem como propósitos plantar 10.000 árvores em jardins e quintais privados até 2020, mais 10.000 árvores e arbustos nos nós das vias de circulação principais até 2021; criar o primeiro bosque urbano nativo prestador de serviços de ecossistemas (e espaço de estudo) com quatro hectares da Quinta de Salgueiros; e produzir anualmente 15.000 árvores e arbustos nativos para a cidade e para projetos de restauro ecológico na região da Área Metropolitana do Porto (para reflorestação de áreas ardidas e degradadas).

O responsável pelo Ambiente do Município destacou também a rede de hortas urbanas, onde estão a ser introduzidas várias técnicas para capacitar os utentes e que procuram potenciar a produção de melhores alimentos em contexto urbano, maximizando a circularidade e a compostagem, sem esquecer a progressiva economia de recursos (água), utilizando técnicas como a aquaponia, camas de cultivo auto-regáveis, vermicompostagem e window farms.

Renaturalizar e trazer linhas de águas à superfície tem sido outro dos trabalhos desenvolvidos pela autarquia, que tem diversos programas de reabilitação, alguns em curso e outros com projeto já finalizado. É o caso do desentubamento e reabilitação da ribeira de Aldoar na Avenida da Boavista - uma das avenidas estruturantes da cidade -, a reabilitação da ribeira da Asprela - valorização de um quarteirão ao abandono situado em pleno polo universitário (projeto que resulta de uma parceria entre a autarquia, a Universidade do Porto e o Politécnico do Porto), que terá ainda um novo parque urbano no coração da Asprela. A decorrer está a despoluição e reabilitação do rio Tinto, cuja obra implica a construção de um intercetor ao longo das margens por forma a devolver este rio à população. A reabilitação proporcionará a extensão do Parque Oriental da cidade do Porto, que duplicará a sua área de 9 para 20 hectares.

Ainda referente às NBS, foi também apresentado e debatido o projeto de corredores saudáveis em bairros sociais europeus do consórcio URBiNAT - Urban Innovative and Inclusive Nature, em quee o Porto participa.

Refira-se que as NBS contribuem para a resiliência territorial, renaturalização do espaço urbano, gestão de recursos naturais, salvaguarda de biodiversidade e ecossistemas, mitigação e adaptação às alterações climáticas e para a redução de riscos.