Este website usa cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Aceitar
o portal de notícias do Porto.

Destaques

Porto exalta o "luminoso alquimista da palavra" Eduardo Lourenço
07-09-2019
Emoção, admiração profunda e gratidão marcaram a dupla sessão de homenagem que o Porto e a sua Feira do Livro prestaram hoje ao grande filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço que, ausente por questões de saúde agravadas pela idade, se fez representar pelo irmão.

Mas a sua ausência só terá permitido que as declarações de respeito sincero e admiração subissem de tom, já que Eduardo Lourenço talvez não deixasse chegar a esse ponto o que, de qualquer forma, não foi de todo exagerado, antes genuíno e merecido.

De resto, mesmo sem ali ter estado hoje, este ilustre filho do Porto "vai estar sempre connosco", tal como salientou o presidente da Câmara, Rui Moreira, na cerimónia de batismo de uma tília com o nome de Eduardo Lourenço, que veio acrescentar um capítulo à literária Avenida das Tílias, nos Jardins do Palácio de Cristal. Um "espaço mágico" onde Rui Moreira lembrou estarem já perenes as evocações de Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cláudio e José Mário Branco.

Comissariada pelo escritor Nuno Artur Silva, a Feira do Livro dá nesta edição espaço e atenção a Eduardo Lourenço, "que é por todos considerado um dos maiores intelectuais portugueses do século XX" e que "tomou a poesia como fonte preferencial da sua obra", descreveu o presidente da Câmara do Porto, para lembrar que "Fernando Pessoa, o Modernismo, Portugal e profundas reflexões sobre a Europa são temas recorrentes nos seus ensaios".

Eduardo Lourenço - que recentemente afirmou no Porto "não sou um grande pensador; o mundo é que pensa e eu tento imaginar o que ele me está a dizer" - foi referido por Rui Moreira como um "homem luminoso, alquimista da palavra, 'indisciplinador' ". Foi ainda citado a propósito da sua perspetiva sobre a Cultura, área tão cara ao autarca também na sua estratégia política, tendo Rui Moreira apontado que "as palavras florescem na pena de Eduardo Lourenço como flores aromáticas, eivadas de lucidez e, tantas vezes, de um otimismo encorajador".

De resto, tais qualidades do homenageado seriam, em seguida, aprofundadamente analisadas num painel que o jornalista Carlos Magno moderou entre a escritora Lídia Jorge e o banqueiro Artur Santos Silva, que partilhou com Eduardo Lourenço a condução dos destinos da Fundação Gulbenkian durante década e meia.



A admiração, a cumplicidade com o pensamento e a perspetiva otimista do homenageado sobre o mundo e a existência dominaram o ambiente (além de terem enchido o auditório). Santos Silva repetiu a felicitação ao presidente da Câmara pela iniciativa de homenagear Eduardo Lourenço, enquanto Lídia Jorge admitiu que, "se não fosse fiel ao Algarve", pediria a Rui Moreira "para me fazer cidadã do Porto" e assim ficar ainda mais próxima do "poeta do pensamento", como apelidou Eduardo Lourenço.

Os participantes neste primeiro dos muitos debates que a Feira tem programados partilharam comentários e reflexões sobre a vida e obra do homenageado, assim como memórias da convivência com Eduardo Lourenço. Algo que o seu irmão, Adriano Lourenço, fizera também nos agradecimentos após a sessão junto à tília, onde, ladeado por Rui Moreira e pelo presidente da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite, salientou os anos de infância passados por Eduardo no Porto e relacionou esta homenagem num festival literário com o facto de o livro ter tido uma enorme influência na sua vida.

Ganhou dessa forma maior significado o desejo manifestado por Rui Moreira de que "esta Feira do Livro, forjada no pensamento de Eduardo Lourenço, nos contagie, nos emocione e emulsione, nos enfarinhe de luar, enfim, nos aponte 'o lento e incendiário' caminho da Liberdade, do Sonho e do Futuro, as bandeiras que continuam a impulsionar a ação cultural deste Executivo, a que presido". E, citando o ensaísta, acrescentou a vontade de que "à boleia dos ensinamentos de Eduardo Lourenço, nos identifiquemos cada vez melhor com esta 'maravilhosa imperfeição', este 'delírio manso' que é o nosso Portugal, que tanto nos fascina e vicia".

//
Veja tudo o que a Feira do Livro do Porto tem para oferecer (a programação é de acesso gratuito), consultando o site oficial do certame e vendo o Jornal na plataforma Issuu ou descarregando-o em formato .pdf

Acompanhe as novidades e os destaques na página do Facebook.