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Destaques

"Pela primeira vez cumpre-se um mandato sem acesso a um quadro comunitário"
21-09-2016

Rui Moreira disse ontem entender as preocupações dos comerciantes do Bolhão, mas distinguiu claramente o que são os lojistas do exterior dos comerciantes de frescos do interior. O presidente da Câmara do Porto falava durante uma entrevista a Júlio Magalhães, por ocasião de uma emissão especial que se insere nas comemorações do décimo aniversário do Porto Canal. Sobre outros projetos, Rui Moreira lembra que pela primeira vez cumpre-se um mandato autárquico praticamente sem acesso a um quadro comunitário de apoio e diz que a expansão do Metro é o projeto que mais gostaria de ver resolvido com o Governo.




O Mercado do Bolhão foi um dos temas centrais da conversa que durou cerca de 30 minutos. Questionado sobre os processos judiciais que o arquiteto Joaquim Massena tem intentado contra o processo de restauro em curso, Rui Moreira desvalorizou e lembrou que aquele arquiteto "apresentou nos anos 90 um projeto à cidade e o projeto não foi adotado". Relativamente ao impacto ambiental, Rui Moreira esclareceu que "temos todos os problemas resolvidos. Este projecto foi aprovado pela autoridade máxima do país na defesa do património. A partir daí, não vou discutir o projeto com o arquiteto Joaquim Massena. Não foi ele o escolhido", frisou, lembrando também que "foi consultor do meu adversário nas eleições" e aparecia "ao lado do candidato na apresentação de todos aqueles projetos" que a cidade rejeitou.


Sobre as preocupações dos comerciantes, o presidente da Câmara admitiu compreender as suas ansiedades, mas acrescenta: "essa preocupação só poderia ser resolvida se tivéssemos um mercado igual ao lado para onde os passaríamos durante dois anos. Mas isso não é possível". Apesar de tudo, Rui Moreia diz que a solução encontrada com o Centro Comercial La Vie, muito próximo, é a melhor.


Sobre os comerciantes do exterior, o autarca lembrou que eles não são muito afetados com o estado de degradação do mercado, pelo que preferiam ficar. Mas isso não é possível e "o que estamos a fazer é a tentar encontrar com cada um deles a melhor solução", revelando que, legalmente, "a Câmara podia ter rescindido o contrato com todos. Mas não foi isso que fizemos e não é isso que queremos fazer. Estamos a tratar individualmente com cada um".


"PARTIDO COMUNISTA SENTE QUE PODE PERDER O SEU VEREADOR NA CÂMARA"


Sobre o país, Rui Moreira elogiou o papel do Presidente da República, que afirmou ter "uma enorme capacidade de perceber o país" e "encarnar aquilo que a Constituição diz que deve ser o Presidente da República.". E sobre a política autárquica, sublinhou a forma democrática como tem decorrido o mandato, assinalando apenas que o Partido Comunista tem dramatizado, nos últimos tempos, as suas posições. "O partido comunista sente que pode perder o seu vereador [nas próximas eleições] e tem revelado uma certa hipersensibilidade", frisando, contudo, que "do ponto de vista da relação pessoal o ambiente é muito bom.".


Sobre o funcionamento da autarquia, Rui Moreira lembrou que participou até hoje em todas as sessões da Assembleia Municipal e que todas as reuniões do Executivo são públicas, o que é um fator de "transparência".


"MUDÁMOS O ESPECTRO DO PORTO NO ÂMBITO DA CULTURA"


Num breve balanço do mandato até agora, o presidente da Câmara do Porto chama ao seu mandato o mérito de ter mudado "o espectro do Porto no âmbito da cultura. Incluímos o conceito da felicidade na política" e recorda também o trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito da coesão social, que disse ser "uma aposta continuada e que vem de trás. A habitação social exige muito de nós", revelou.


Mas também a economia tem ocupado bastante o presidente: "na economia vivemos um bom momento na cidade, graças ao investimento privado", disse, recordando que, pela primeira vez desde a entrada de Portugal na União Europeia, praticamente, "não tivemos quadro comunitário de apoio e isso não tem permitido desenvolver projetos tão depressa como gostaríamos", criticando os atrasos na aplicação dos dinheiros do Portugal 2020.


Sobre aspetos que gostaria de ver resolvidos com o Governo, Rui Moreira disse que "a questão que mais gostava de resolver é a questão da expansão da Metro do Porto. É um projeto prioritário que ficou parado, devido aos problemas do país".


O presidente da Câmara do Porto, eleito há menos de três anos, disse ainda que "o investimento público nas cidades é o que mais me preocupa", uma vez que "a questão recente do novo imposto sobre património mostra que o estado não tem nenhuma vontade de descentralizar".