Pedro Baptista, fundador de "O Grito do Povo" de
oposição ao Estado Novo, lançou na última sexta-feira, nos Paços do Concelho, o
seu primeiro livro de memórias, intitulado "Da Foz Velha a 'O Grito do Povo' ".
A apresentação da obra contou com a presença do Presidente da Câmara do Porto,
Rui Moreira.
O autor conta como os tumultos estudantis do Porto deram o
mote aos protestos de 1969, em Coimbra, que marcaram o fim do regime.
"É absolutamente falso que o Porto tenha tido um papel
secundário" nos acontecimentos que levaram à revolução de abril de 1974,
defende, convicto, numa entrevista à agência Lusa em que foi narrando, passo a
passo, o seu trajeto até dezembro de 1971, data em que, na clandestinidade,
lança a primeira edição do "Grito" sob o mote "Abaixo a
exploração capitalista".
Dois anos antes, algures nos primeiros dias de janeiro,
participava, enquanto estudante, num plenário no átrio da Faculdade de
Ciências, onde hoje é a Reitoria do Porto, aos Leões, que acabou com a polícia
a invadir o edifício. "Naquele dia éramos 300, no dia seguinte éramos
quatro ou cinco mil e estava tudo em greve, toda a universidade, com
assembleias e contestação nas aulas", recorda.
Entre 1969 e 1970, Pedro Batista consegue juntar o movimento
estudantil ao operário e, em 71, nasce "O Grito do Povo", nascido de uma
geração do fim dos anos 60, marcada pelo pró-China, pelo maoismo, e tantos
outros ?ismos'.
O movimento por detrás de ?O Grito do Povo' havia de
fundir-se com o ?Comunista', gerando-se, progressivamente, a OCMLP (Organização
Comunista Marxista-Leninista Portuguesa), com implantação do Norte a Santarém.
No final da apresentação, em declarações aos jornalistas,
Pedro Baptista resume a narrativa como "um livro de memórias minhas, mas que têm
a ver com sociedade e com os últimos anos que precederam ao 25 de abril e todo
o processo revolucionário que eu e muitos outros encetamos".
Cumprem-se em janeiro de 2015 os 40 anos do cerco dos
comunistas ao Palácio de Cristal, onde decorria o I Congresso do CDS. Pedro
Baptista e a OCMLP estiveram lá, 'estórias' da História que poderão fazer parte
de um segundo volume.