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Destaques

Pedro Baptista lançou livro
10-11-2014

Pedro Baptista, fundador de "O Grito do Povo" de oposição ao Estado Novo, lançou na última sexta-feira, nos Paços do Concelho, o seu primeiro livro de memórias, intitulado "Da Foz Velha a 'O Grito do Povo' ". A apresentação da obra contou com a presença do Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.


O autor conta como os tumultos estudantis do Porto deram o mote aos protestos de 1969, em Coimbra, que marcaram o fim do regime.


"É absolutamente falso que o Porto tenha tido um papel secundário" nos acontecimentos que levaram à revolução de abril de 1974, defende, convicto, numa entrevista à agência Lusa em que foi narrando, passo a passo, o seu trajeto até dezembro de 1971, data em que, na clandestinidade, lança a primeira edição do "Grito" sob o mote "Abaixo a exploração capitalista".


Dois anos antes, algures nos primeiros dias de janeiro, participava, enquanto estudante, num plenário no átrio da Faculdade de Ciências, onde hoje é a Reitoria do Porto, aos Leões, que acabou com a polícia a invadir o edifício. "Naquele dia éramos 300, no dia seguinte éramos quatro ou cinco mil e estava tudo em greve, toda a universidade, com assembleias e contestação nas aulas", recorda.


Entre 1969 e 1970, Pedro Batista consegue juntar o movimento estudantil ao operário e, em 71, nasce "O Grito do Povo", nascido de uma geração do fim dos anos 60, marcada pelo pró-China, pelo maoismo, e tantos outros ?ismos'.


O movimento por detrás de ?O Grito do Povo' havia de fundir-se com o ?Comunista', gerando-se, progressivamente, a OCMLP (Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa), com implantação do Norte a Santarém.


No final da apresentação, em declarações aos jornalistas, Pedro Baptista resume a narrativa como "um livro de memórias minhas, mas que têm a ver com sociedade e com os últimos anos que precederam ao 25 de abril e todo o processo revolucionário que eu e muitos outros encetamos".


Cumprem-se em janeiro de 2015 os 40 anos do cerco dos comunistas ao Palácio de Cristal, onde decorria o I Congresso do CDS. Pedro Baptista e a OCMLP estiveram lá, 'estórias' da História que poderão fazer parte de um segundo volume.