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NÚMEROS HISTÓRICOS Porto voltou em 2017 a ganhar residentes após 40 anos de perdas que levaram 100 mil a deixar a cidade
07-10-2018

Durante quatro décadas, o Porto perdeu residentes. Cerca de um terço da população deixou a cidade desde o final da década de 70. O gráfico do número de moradores permanentes na cidade baseia-se em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostra um Porto em contraciclo com a Área Metropolitana do Porto (AMP) e com o País, que estão a perder habitantes. A dinâmica social, cultural e económica da cidade, a sua visibilidade e imagem, estão a contribuir para atrair população e não para afastá-la, como erradamente tem sido noticiado.


Desde o início dos anos 80 do Século passado que a população residente no Porto não crescia, mas segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, isso aconteceu em 2017, havendo agora 214.353 residentes na cidade, mais do que em 2016. Na verdade, a história da demografia no Porto é, há muitas décadas, dramática, estando agora o número de habitantes ao nível do que acontecia nos anos 20 do Século passado.


O pico aconteceu no final da década de 70, quando o Porto chegou a ter 330 mil habitantes, mas, desde então, foi perdendo, sem interrupções, até 2017, ano em que, pela primeira vez, regista um aumento relativamente ao ano transacto. Sendo o número muito escasso, ele demonstra uma inversão da linha de queda, o que já se vinha adivinhando nos dois últimos anos, o que também coincide com o número de eleitores.

Apesar da variação ser mínima, ela demonstra uma inversão histórica da curva de perda de habitantes, depois do Porto ter perdido, só desde 2001, quase 40 mil habitantes. O Porto é o quarto município do país em número de habitantes, atrás de Lisboa, Sintra, Vila Nova de Gaia. Está agora à frente de Cascais, que tem menos três mil habitantes do que o Porto.

Curiosamente, se a população do Porto subiu de 2016 para 2017, isso acontece em contraciclo com o País, que perdeu 25 mil no último ano, e com a Área Metropolitana do Porto, que perdeu dois mil habitantes, assim como com outros municípios vizinhos à Invicta, como Vila Nova de Gaia, que desceu dos 300 mil habitantes pela primeira vez desde 2001, e Gondomar que também perdeu população residente, enquanto a Maia e Matosinhos, subiram.

Segundo o estudo do INE, Portugal perdeu 25 mil pessoas em 2017, relativamente e a 2016. Há agora 10,3 milhões de portugueses a viver no território nacional, 214 mil dos quais na cidade do Porto e 1,7 milhões na Área Metropolitana do Porto. Tal como o Porto, também Lisboa inverteu o processo de perda de habitantes em 2017, subindo marginalmente.

Numa análise mais profunda, assinala-se que o Porto perdeu 100 mil habitantes em quatro décadas e que o mandato autárquico com menos perda de habitantes desde o início dos anos 80 foi o último (2013 - 2017), presidido por Rui Moreira que, notando-se uma alteração da tendência da curva logo a partir do segundo ano, atingindo-se no último, pela primeira vez, uma inversão.

Estes números, que resultam dos dados estatístico produzidos pelo Instituto Nacional de Estatística, coincidem com os dados que resultam do recenseamento eleitoral que também indicou, pela primeira vez em décadas, um aumento do número de eleitores na cidade do Porto em 2017.

Os dados contrariam em absoluto a ideia de que a cidade do Porto está a perder habitantes e que a dinâmica social, económica e turística afasta moradores. Mostram, bem ao contrário, que foi antes dessa dinâmica ter sido criada que a cidade perdeu residentes de forma sustentada e acentuada e que isso apenas foi invertido agora.