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"Não admito que a TAP volte a ter uma operação baseada apenas em Lisboa se quiser ter apoio público"
29-04-2020

A declaração de Rui Moreira, ontem à RTP, foi hoje seguida das afirmações do Ministro das Infraestruturas no Parlamento, onde disse que "se o Estado apoia a TAP, tem de mandar para defender o interesse nacional".


Pedro Nuno Santos deixou claro na Assembleia da República que, se o Estado tiver - como parece inevitável - de financiar a TAP, terá que ter mais poder na empresa e "mandar", e que a empresa deve, então, contribuir para o "interesse nacional". As declarações do governante coincidem com as de Rui Moreira, ontem à RTP, dizendo que não admite que uma empresa com apoio do Estado concentre a sua operação apenas num dos vários aeroportos do país.

"O modelo desta intervenção de elevadíssima dimensão na TAP tem de ser muito bem maturado e tem de estar de acordo com os interesses do Estado soberano e não dos acionistas de uma empresa", disse Pedro Nuno Santos, hoje no Parlamento, acrescentando: "não será o Estado acionista, mas sim o Estado soberano a discutir com os acionistas privados os termos de uma alternativa de intervenção, que terá de ser a melhor do ponto de vista do povo português e do interesse nacional".

Estas declarações do Ministro das Infraestruturas aconteceram um dia após Rui Moreira ter dito à RTP que "exige" da TAP uma retoma equilibrada à operação e que esta se faça "nos vários aeroportos do país". O presidente da Câmara diz mesmo não admitir que a TAP, tendo apoio do Estado, "possa ter outra vez uma operação só baseada em Lisboa, tanto mais que na Região Norte as empresas exportadoras vão precisar de continuar a viajar para fazer negócios".

"A TAP vive, de facto, e vai continuar a viver cada vez mais do apoio do Estado português", alertou Rui Moreira em entrevista ao Jornal da Tarde da RTP, acrescentando que "é evidente que se a TAP não quiser ter o apoio do Estado, então pode fazer o que quiser, e aí eu já não me posso pronunciar e teremos é que procurar outras companhias aéreas. Mas não admito que a TAP, pura e simplesmente, concentre a operação em Lisboa e não atenda às necessidades de serviço público", referiu.


"Empréstimo de 350 milhões não chega para resolver problema da TAP. Se é o povo a pagar, é bom que seja o povo a mandar", referiu Pedro Nuno Santos no Parlamento, numa declaração que coincide com a visão que, desde 2016, Rui Moreira vem defendendo, ano em que o Governo decidiu recomprar parte da TAP para recuperar o controlo de 50% do capital da empresa.