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Destaques

Moradores e comerciantes com mais avenças no Parque da Alfândega
05-02-2019

Resolver o problema crónico da falta de estacionamento dos moradores da zona de Miragaia e disciplinar a circulação dos autocarros turísticos ocasionais na Zona Histórica ribeirinha constituem os principais motivos para que o Executivo tenha deliberado hoje introduzir novas regras no acesso ao Parque de Estacionamento da Alfândega.


Esta alteração, como explicou o diretor municipal da Mobilidade e Transportes, Manuel Paulo Teixeira, resulta de um plano estratégico de mobilidade à cota baixa e ribeirinha da cidade, que privilegia moradores e comerciantes e impõe algumas restrições à circulação dos autocarros ocasionais que, pela sua grande dimensão e quantidade, têm causado constrangimentos de trânsito ao Centro Histórico ribeirinho.

Para os moradores e comerciantes, principalmente da zona de Miragaia, que vêm reclamando mais espaço para estacionar os seus carros em regime de avença no Parque da Alfândega, o problema fica sanado. Segundo a proposta, assinada pela vereadora dos Transportes, Cristina Pimentel, dois terços da capacidade do parque passarão a ser exclusivos para avençados, o correspondente a 121 lugares (atualmente, os lugares em regime de avença totalizam cerca de 50% do espaço disponível).

Ultrapassa-se assim as "muitas reclamações dos avençados" que não conseguem estacionar os seus carros devido ao regime de rotação atual, podendo-se, simultaneamente, dar resposta à extensa lista de espera para novas avenças, explicitou o diretor.

Autocarros ocasionais ficam com 18 lugares

Segundo averiguaram os serviços municipais, "no pico das contagens, há cerca de 188 autocarros ocasionais a operar em simultâneo no centro do Porto" e "só na zona ribeirinha foram detetados 30 destes veículos também em simultâneo".

Com efeito, esta realidade acarreta uma série de problemas, identificou o responsável. Desde logo, "um desajuste entre as dimensões deste tipo de veículos e o perfil das ruas do Centro Histórico", aliado ao facto de serem consumidores de muito espaço e, por esse motivo, "pouco manobráveis". Acrescem ainda as "operações demoradas de entrada e largada de passageiros e a tendência para esperar ou circular em vazio durante o tempo das visitas" que, sublinhou, "não acontece por maldade, mas por falta de solução".

Um problema que também fica resolvido, considerando que estes veículos passarão agora a fazer rebatimento no Parque da Alfândega.

Noutras zonas da cidade, acrescentou Manuel Paulo Teixeira, esta estratégia já tem sido seguida, inclusive com tarifas mais apelativas à medida que se vão afastando do centro. No Parque de São Roque, localizado na zona oriental, há 39 lugares disponíveis; no Campo Alegre, existe a possibilidade de estacionamento noturno; e na zona centro, à cota alta, a Garagem Atlântico pode receber até 15 autocarros turísticos ocasionais.

Com esta solução resolve-se parte do problema de circulação automóvel à cota baixa, mas outras medidas complementares irão ajudar a resolver a equação.

Ainda assim, na nova tabela de preços do Parque da Alfândega - que foi aprovada por maioria, com os votos contra do PS e PSD e abstenção da CDU - optou-se por não extinguir as tarifas para os ligeiros de rotação. Como explicou a vereadora dos Transportes, "poderemos sempre reavaliar a reintrodução da rotação no parque, mediante a utilização que for feita".



Novas regras de circulação para ligeiros e autocarros ocasionais no centro histórico

Apesar da anterior medida ter forte impacto para a melhoria da fluidez do trânsito na zona ribeirinha histórica, há ainda outros conflitos por resolver e o diretor municipal identificou-os.

Na próxima semana, a partir de dia 12, as obras do futuro museu subterrâneo do Rio da Vila vão obrigar ao corte de trânsito de parte da Rua de Mouzinho da Silveira. Ainda assim, esta artéria ficará transitável para a subida dos veículos que venham de poente (Foz e Freixo).

Aproveitando este constrangimento, será proibida a circulação de autocarros ocasionais nesta artéria (sentido ascendente e descendente).

Com efeito, aos autocarros ocasionais que estacionem na Alfândega do Porto serão dadas duas possibilidades de saída da cidade: via túnel da Ribeira, para acesso à ponte do Freixo, ou fazendo inversão de marcha no sentido do Campo Alegre.

O duplo sentido da Rua de Belmonte, que o presidente da Câmara do Porto classificou de "inferno" por representar um perigo para os transeuntes, dará lugar à circulação de sentido único ascendente, para potenciar uma "ligação mais rápida à Cordoaria e Clérigos". Uma medida que será potenciada pela inversão de sentido da Rua de Ferreira Borges, que passará a ser ascendente.

Na Rua de São João será invertida a circulação entre a Rua do Infante D. Henrique e Rua de Mouzinho da Silveira, "permitindo que quem vem de nascente possa aceder aos Aliados e à Sé logo a partir daqui", explicou Manuel Paulo Teixeira, acrescentando que esta mudança também vai resolver outro conflito identificado que é o acesso ao Parque de Estacionamento da Ribeira.

Melhorar o eixo pedonal que vem da Rua das Flores e termina na Ribeira é outro dos objetivos, que se vai cumprir com a pedonalização da zona rodoviária do Largo de São Domingos e com o reforço dos atravessamentos da Rua do Infante D. Henrique, "hoje manifestamente insuficientes", analisou o diretor.

Todas estas medidas, à exceção das obras que já vão interditar um troço da Rua de Mouzinho da Silveira, deverão estar implementadas até ao final do mês de abril.